sábado, 27 de dezembro de 2014


MEUS DESEJOS PARA O ANO NOVO


Quero alegria nos rostos, quero gente feliz, ou melhor, quero gente que saiba ser feliz!
Quero força para lutar e vontade de mudar.
Quero políticos honestos, empresários comprometidos, e povo participativo.
Quero gente que reclama menos e faz mais.
Quero que o brasileiro aprenda o conceito de coletividade (de uma vez por todas).
Quero o fim dos maus tratos, do abandono e do uso dos animais.
Quero saúde, educação, saneamento, e todos os outros itens que fazem ser possível se viver com decência.
Quero o fim do fanatismo religioso, e o fim dos aproveitadores da "fé", quero o fim dos alienados e o fim do uso do santo nome em vão.
Quero o respeito ao semelhante, quero o fim do preconceito, do racismo, da homofobia, do machismo e de toda a violência causada por esses equívocos.
Quero trabalho e gente disposta a trabalhar.
Quero a valorização da arte e da cultura, quero o respeito aos artistas (já está mais do que na hora) porque eles são melhores do que nós e têm muito a nos proporcionar.
Quero música.
Quero o fim da impunidade, mas quero também justiça aos que descumprem as leis da vida.
Quero crianças alimentadas, cuidadas e seguras. Quero o fim de todo o tipo de violência contra elas.
Quero o fim das guerras, de todas, isso inclui o oriente médio, os estádios de futebol e as nossas casas.
Quero educação nas escolas, respeito aos professores e salários mais justos para essa que é a a mais sagrada das profissões.
Quero pais que educam, que amam e se dedicam aos seus filhos.
Quero dignidade em toda a área de saúde, quero apoio aos cientistas e quero a cura do câncer.
Quero mesas fartas, mas quero também que parem de jogar comida fora.
Quero rios limpos e florestas protegidas, quero respeito ao planeta.
Quero fogo, água, terra e ar em equilíbrio e, no caso da água, quero em ambundância.
Quero menos lixo e mais flores espalhadas pelo chão.
Quero menos smarthphones e mais livros nas mãos das pessoas.
Quero menos rasteiras e mais abraços.
Quero tempo e espaço, quero menos transito e mais caminhos.
Quero mais viagens e menos cirurgias plásticas - nada pessoal - é que trocar a roupa da alma é melhor.
Quero menos sofrimento, menos rejeição, menos frustração, na verdade eu quero que saibamos lidar com isso "de boa" porque faz parte do jogo.
Quero menos orgulho e mais perdão, quero menos “eu” e mais “nos”, menos “ter” e mais “ser”.
Quero que aquele papo de "amar ao próximo como a si mesmo” passe a fazer sentido, quero menos palavras e mais ações.
Quero amor.
Quero recomeço.
Para finalizar:
QUERO AGRADECER, MUITO E SEMPRE, POR TUDO!
Que assim seja!
Um lindo 2015 a todos.

domingo, 21 de dezembro de 2014

OBESIDADE E CARÊNCIA
"A sensação de incompletude se manifesta como um 'buraco' no estômago. É fácil confundi-la com a fome: é preciso atenção para não ficar obeso." (Flávio Gikovate)

Em tempos nos quais a medicina tem atribuído muitos casos de câncer à obesidade, decidi escrever a vocês sobre algo muito visto e falado dentro dos nossos consultórios: a ligação entre obesidade e a sensação emocional de falta, de incompletude que sentimos em alguns momentos da vida.
Quem nunca comeu para suprir uma carência? E por que nunca se come alface nesses casos? A escolha pelo alimento é questão de prazer e está ligada à produção de serotonina. Está comprovado que o chocolate, por exemplo, provoca sim uma sensação de muito bem estar depois de ingerido, já a alface, não. Muitas, talvez a maioria das causas da obesidade esteja ligada à compulsão, ao comer por impulso para suprir um buraco no estômago que não é físico.
Alguns psicoterapeutas acreditam que as dietas para emagrecer acabam fracassando porque levam o indivíduo a pensar muito no assunto, a pensar muito em comida e como consequência, acabarem comendo mais. Pessoas magras não contam calorias, não ficam o tempo todo falando em dietas e não comem para satisfazer carências. Elas têm outros prazeres e por isso não precisam busca-lo na comida. Quer a prova? Apaixone-se! Por algo ou por alguém. Os apaixonados, quando antes acima do peso, emagrecem pelo simples fato de voltarem a comer apenas para saciar a fome física e passarem a buscar prazer no lugar certo. A paixão nos motiva. Pode ser paixão pela vida, por outro indivíduo, por uma arte ou mesmo pelo trabalho.
Em um mondo paradoxal, no qual somos cobrados o tempo todo sermos perfeitos esteticamente, chegando a sacrificar dinheiro e saúde, a população engorda a cada dia. O número de pessoas cujos comportamentos são de compulsão alimentar cresceu nos últimos vinte anos e cresceu muito também, paralelo a isso, o número de pessoas solitárias. O individualismo e as dificuldades de relacionamento interpessoal crescem a cada dia e provocam um “vazio no nosso estômago” e em todo o resto. Confesso a vocês que isso não é só visto em grandes cidades não. Eu não vi diferença na distância interpessoal que se estabelece aqui em São Paulo, da que via na nossa Limeira. É cada um por si e a busca pelo convívio tem sido cada vez mais ligada ao interesse. Desaprendemos de como conviver, de como trocar as energias ao relacionar-se pelo simples fato de que nossa natureza é assim. Sentimos o tempo todo esse vazio, e não culpem apenas os smartphones; eu, sendo bem sincera, acredito que eles sejam mais consequência do que causa do nosso distanciamento uns dos outros.
Uns compram, outros se drogam, e muitos comem. Enfiam a cara no bolo de chocolate porque somos carentes sim, e trocar afeto está cada dia mais difícil. Já repararam que, sozinhos, comemos muito mais? E a melhor: que comer em boa companhia e em um momento de bate papo prazeroso não engorda? Todos nós conhecemos pessoas que cozinham maravilhosamente bem, que adoram comer e que são magras. Vejam bem, são magras, saudáveis, mas não “androides” esquisitos, cujos corpos parecem ter sido fabricados em laboratórios. Não acredito em prazer, nem tampouco em magreza alguma fabricada pela ingestão restrita de frango e batata doce. Como não é minha área, deixo aos médicos endocrinologistas o papel de esclarecer as doenças que isso pode causar.
Sempre brinco com as minhas amigas dizendo que “quem fica murchando a barriga na hora de transar, não goza”, porque essa neurose pelo corpo perfeito também é compulsão. Se comer ou fizer sexo com esses padrões compulsivos de comportamento, não vai funcionar; por outro lado, ao saborear um alimento, qualquer um, com e por prazer, acredite, não vai engordar.
A comida não tapa o buraco e o vazio provocado pela falta de afeto que sentimos, e afeto, como disse o sábio São Francisco de Assis: “é dando que se recebe”.
Ame mais e emagreça.



sábado, 6 de dezembro de 2014

MULHERES MALVADAS

Eu estava na área de recreação infantil de um hotel, no litoral, onde fomos passar o último feriado. Arthur brincava entre outras crianças, até que, resolveu pegar e esconder a bolinha de pebolim interrompendo assim a brincadeira das “crianças grandes”. Imediatamente os meninos me olharam e pareciam dizer: “mãe, olha seu filho e faça alguma coisa!”. Eu me levantei, peguei a bolinha das mãos do Arthur, a devolvi aos meninos e comecei a ouvir o choro e as lamentações do meu filho. Eu disse apenas: “-Arthur a bolinha é da mesa de pebolim e eles estão jogando. Você não pode pegá-la e esconder.” Voltei então ao sofá de onde eu o observava de longe. Ele só tem três anos e meio, ainda preciso vigiar quando ele brinca em locais estranhos. Ao ouvir a reação natural do meu filho à frustração outra mãe se levantou, olhou para mim e disse: “-Deixa ele!” Além disso, foi em direção ao Arthur e começou a consolá-lo. Ele, claro, respondeu positivamente enquanto ela brincava, falava mansamente com ele, o agradava e, ao mesmo tempo, me olhava com condenação e parecia dizer: “Está vendo como se faz”! Como psicóloga comportamental eu afirmo que reforçar um comportamento negativo o tornará mais comum, ou seja, se o Arthur for agradado e consolado quando roubar e esconder bolinhas, ele vai fazer isso sempre.
Agora entra o meu tema dessa semana. Por que as mulheres, mesmo nessa situação tão complexa que é a de educar e mostrar aos filhos como o mundo funciona, competem entre si e se mostram tão pouco afetivas e solidárias umas com as outras? Ao ver a cena eu ignorei ambos e então comecei a me lembrar de que infinitas foram às vezes nas quais eu ouvi outras mães, algumas muito amigas e bem próximas, discursarem sobre a quase perfeição de seus atos enquanto eu contava ou dividia da forma mais humana possível as minhas falhas, os meus medos ou as minhas dúvidas enquanto mãe. Mães erram sim, mas erram tentando acertar. Responder relatando a sua forma perfeita, adequada e sempre correta quando outra mãe lhe confessa algo é no mínimo cruel, e mostra uma incapacidade de ouvir e uma necessidade grande de autoafirmação – coisa de gente que precisa “enfrentar o divã”.
Penso que, se na cena acima fossem dois pais, eles teriam conversado entre si, compartilhado das dificuldades enfrentadas com os filhos de três anos e meio, talvez um dissesse ao outro: “o meu é igualzinho” e a conversa seguiria com empatia e com frases como: “ah deixe chorar, faz parte, a vida é assim”. E é mesmo.
A competição agressiva e desenfreada entre as mulheres, chamada no senso comum de falsidade é vista desde a infância. Menininhas antes dos sete anos já se boicotam e se envolvem em episódios maldosos. Homens são mais sinceros sim, porque não tem a necessidade constante de competir e vencer. Os homens parecem se identificar mais uns com os outros; existem até piadas e chavões que mostram bem esse padrão de comportamento.
Por que somos tão “falsas”? Por que temos essa dificuldade imensa de nos desarmarmos, de nos ajudarmos, de confessar nossas fraquezas, nossos medos, nossos fracassos e nossas celulites? Acabamos por saborear uma solidão desnecessária. Seres humanos, por espécie, vivem em bandos. A amizade é uma das formas mais saudáveis e mais prazerosas de convívio. Ter com quem contar para quem contar é muito importante para nossa saúde mental durante toda a nossa vida. Vejo com frequência mulheres que, na terceira idade não têm amigas, e tê-las seria tão bom e tão importante nessa fase mais calma da vida, nas quais não se ouvem mais as birras, mas se lembram delas com saudade.
Vindo de uma estranha ou de uma grande amiga, a verdade é que, ao ser vista no papel de mãe, todas nós já fomos condenadas – porque julgar ou simplesmente falar da outra é a coisa mais fácil e mais gostosa do mundo para quem não é capaz de se identificar com o outro nem tampouco de amar. Tenho me dedicado atualmente aos autores contemporâneos que escrevem sobre amor em seu mais profundo significado. Amor está em extinção. Ao começar desabafando sobre meu filho que demorou a falar e terminar ouvindo o perfeito desempenho do filho da outra que com pouco mais de um ano falava frases inteiras o que sinto é solidão e a mais pura falta de afeto e empatia. Quem tem prazer ao ouvir a dor alheia sem se comover precisa se lapidar enquanto gente. Há quem diga que a necessidade de tanto aplauso e a incapacidade de ouvir e de acolher o outro um dia há de fazer dessas mães mulheres ausentes e solitárias.
Por que não trocarmos nossas experiências? Por que não se abrir e se ajudar? Por que não caminharmos juntas como semelhantes que somos? Ninguém é melhor do que ninguém e aqui vou abrir um parêntese e confessar: ser psicóloga não faz de mim uma mãe melhor do que qualquer outra; conheço a técnica, mas na teoria é muito fácil e na prática eu me permito como diz Carl Jung, a “ser apenas uma alma humana”.
É uma reflexão complexa demais para o pouco espaço que tenho aqui, mas minha proposta é sempre nos levar a pensar e a mudar. A difícil tarefa da maternidade é apenas um dos aspectos da nossa vida. Nós mulheres precisamos umas das outras, como profissionais, como companheiras, como gente. Por que competimos tanto? Por um homem? Por uma promoção profissional? Por um, ou muitos olhares de admiração? As mulheres dizem ter medo e asco da inveja enquanto que, hipocritamente o tempo todo buscam olhares invejosos. Já ouviram falar em empatia? A empatia é a resposta afetiva a outras pessoas, ou melhor, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação. Talvez seja o momento de começarmos a praticá-la, a nos colocar no lugar do outro ao invés de mostrar o quanto, em nossa opinião, nos achamos tão melhores. Quem propaga uma vida perfeita esconde sujeira debaixo do  tapete.
PS: Quero agradecer a todos os e-mails e mensagens via Facebook que chegaram e que continuam chegando. Esse foi o primeiro texto que escrevi já da minha nova residência em São Paulo. Espero que continuem escrevendo e solicitando temas. Vamos continuar refletindo juntos. A vida na capital tem me proporcionado novas possibilidades de aprimoramento dentro da minha ciência e quero dividir cada nova descoberta com vocês.

sábado, 29 de novembro de 2014

ENSINA SEUS FILHOS A AMAR

Vamos falar de amor?
Dia desses, conversando com uma amiga, ouvi a seguinte frase:
“Falta amor no discurso dele, Vivi!”
Aquilo ficou martelando na minha mente, ela conseguiu definir algo que eu já enxergava: gente que sofre de falta de amor. Falta amor nas palavras, nos olhos, nos gestos...
Muitos já devem ter visto um chavão que está bem na moda: MAIS AMOR, POR FAVOR!
E pensando sempre nessa divina missão de colocar seres humanos melhores no mundo, te convido a refletir comigo sobre o amor e sobre a forma com que ele se propaga.
Quantas vezes você já parou para pensar e analisar o quanto de amor existe nas quase vinte mil palavras que você fala por dia?
Desde que acordamos, somos pensamentos e palavras, que irradiam energia por toda nossa volta e que, podem ser uma bela arma de proliferação de amor (ou de outros sentimentos não tão bons).
Vamos fazer um teste.
Muitas vezes impregnamos nossa vida e os ouvidos de nossos filhos com palavras negativas, pensamentos catastróficos e ideias ameaçadoras. Veja alguns exemplos:

-Isso é feio!
-A moça vai ficar brava!
-O doutor vai te dar injeção se você não parar.
-Se seu amigo bater, bata nele também!
-Eu vou contar para o seu pai.
-Se você agir assim, ninguém vai gostar de você.

Isso sem contar as tantas conversas que nossos filhos ouvem – e absorvem. Já se perguntou o que seu filho te ouve falar?  Que opiniões ele assiste você emitindo sobre algo ou alguém?
Falta amor no discurso do outro - e no nosso também!
Temos como dizer a mesma coisa de formas diferentes. Ao ensinarmos nossos filhos a ter amor e compaixão por tudo e todos a sua volta, nos mostramos modelos de conduta a ser reproduzida por eles. Nossos filhos são criados com exemplos, eles são com esponjas a absorver tudo, inclusive o amor.
Como sempre digo ninguém dá o que não tem, se você não tiver amor, não poderá amar, então o busque dentro de si. Não basta amar seu filho, até porque, com o perdão da palavra, amar um filho é a coisa mais fácil do mundo, é como respirar, o fazemos, sem pensar. Porém, se apesar disso, agirmos com pouco amor ao resto do mundo, de nada vai adiantar.
É preciso amor e compaixão também com o resto da família, com os amigos, companheiros de trabalho, quem está a nossa volta, com quem nos presta um serviço, com quem é diferente da gente, com quem não depende de nós e de quem não dependemos.
Aquele papo de “amar ao próximo como a si mesmo” é sério e bem importante. O amor é a cura de todos os males. Uma sociedade mais digna, mais segura e mais feliz se faz, acima de tudo, com amor.

Dicas simples para ensinar nossas crianças a amar:
-Ensine o amor aos animais. Permita que seu filho tenha um bichinho de estimação
-Mostre respeito e compaixão por quem está trabalhando, por exemplo: mostre aos pequenos a gratidão que deve ter aos coletores de lixo, detalhando como é o trabalho deles e para que serve. Isso vale para todos que trabalham para o nosso bem estar.
-Ensine-o a dizer sempre “muito obrigado”, faça isso dizendo, aos outros e a ele próprio.
-Jamais critique alguém diante do seu filho, procure explicar apenas que aquela pessoa pensa e age de forma diferente, exercendo o direito dela. Isso vale para assuntos como política, religião, futebol e tantos outros.
-Diga sempre que o ama e demonstre seu amor por outras pessoas do convívio da família, tais como pais, avós, etc.
-Seja sempre otimista: evite reclamar, blasfemar e xingar.
-Caso não esteja bem, diga que é só um mal estar, ou uma preocupação, e que vai passar. As crianças tendem a criar fantasias de culpas que não têm. Tranquilize-a de que nada tem a ver com ela, e que todas as tristezas passam (porque passam mesmo...).
-Quando tiver que impor limites, faça-o com firmeza, explique a situação com clareza e após a punição, demonstre seu amor, isso cria seres humanos mais seguros.
-Ame, ame incondicionalmente! É nítida a diferença no olhar das pessoas que se permitem amar.

sábado, 15 de novembro de 2014

ADOLESCENTE – MANUAL DO USUÁRIO – PARTE II

Terminei na semana passada dizendo que continuaria falando sobre adolescência, dizendo que não devemos abrir o forno antes da hora. Nosso assunto de hoje continua sendo a adolescência e a hora certa de abrir o tal forno.
Por que nos apressamos tanto? Por que abrimos o forno antes da hora? Por que o deixamos queimar? Se por um lado estamos mantendo nossos filhos de trinta anos debaixo das nossas asas, o que tenho visto em escala cada vez maior são crianças agindo como adolescentes e por isso, preciso alertar: o risco emocional ao se pular ou apressar fases do desenvolvimento humano é avassalador!
Dia desses uma amiga me perguntou, bastante preocupada e sofrendo muito:
-Vivi, existe algum risco ou malefício em deixar a minha filha de oito anos usar esmalte? Respondi a ela e respondo a vocês:
-Não! O Problema não está no esmalte. Meninas reproduzem o comportamento das suas mães na busca pela identidade sexual. Usam seus sapatos, seus colares, querem pintar as unhas e usar batom! Enquanto esse comportamento estiver ligado á identificação, tudo bem; faz parte do desenvolvimento esse “experienciar” de papéis. O importante é que junto dos esmaltes, da maquiagem e das bijouterias (que devem ser específicas para crianças) estejam os brinquedos e as roupas adequadas às meninas dessa idade.
Existe uma diferença muito clara em permitir que sua filha use batom da de permitir que ela imite uma adulta vinte e quatro horas por dia, que faça escolhas sem supervisão alguma, que não tenha rotina diária, que vá a eventos direcionados a adultos, que ouça conversas de adultos e que, aos sete anos diga que acha Barbie coisa de criança pequena. Até os dez anos o natural é que se interesse por brinquedos e não que seja motivo de chacota por isso! Confesso que sou grata por ser mãe de menino nessas horas, neles, a transição entre os brinquedos e os jogos eletrônicos parece correr em maior calmaria, os esportes os acompanham por um longo período (eterno para alguns) e a forma com que se vestem os homens desde muito pequenos é de me dar inveja, simples, prático e confortável.
Não acho natural, nem tampouco saudável que meninas de nove ou dez anos deixem de brincar, que entendam profundamente de moda, de relacionamento afetivo, e nem que frequentem apenas ambientes povoados por mulheres adultas. Você pode sim levar sua filha com você ao salão de beleza, mas fique atenta sobre as razões pelas quais está fazendo isso – seria um momento de vínculo entre vocês ou apenas está facilitando sua vida?
Para que nossos filhos possam entrar e sair da adolescência de forma saudável é preciso que tomemos alguns cuidados e, o principal deles é não apressar o processo. Cada indivíduo tem seu tempo e, se aos quinze já se tiver “vivido tudo” o que se fará até os vinte? Fiquem atentos pais, e aqui vão alguns toques importantes para serem mantidos até a chegada da adolescência:
-Crianças e adolescentes PRECISAM de rotina, é imprescindível que o ambiente propicie isso para que a mente deles possa se desenvolver. É preciso ter horário para acordar, para dormir, para tomar banho, para se alimentar e é preciso que algum adulto supervisione as suas atividades. Aos seis anos a supervisão é intensa e vai ficando mais leve ao longo do tempo, mas não deve desaparecer. Nenhum pai deve confiar totalmente no seu filho até a idade adulta, isso é muito importante. Finais de semana existem para se quebrar a rotina, mas se ela não existe, fica difícil!
-Não permita que seus filhos façam todas as suas escolhas sozinhos. Participem, demonstrem interesse. Não concordem sempre, questionem e, se for preciso, imponham sua vontade algumas vezes para que o comando não seja unilateral. Permita que ele durma na casa de um amigo, mas diga que no dia seguinte ele acompanhará você (ou vocês) em uma pizza, por exemplo.
-Procurem, com o início da idade escolar (ensino fundamental) oferecer atividades extracurriculares. É muito importante que, na entrada da adolescência, seu filho já tenha escolhido algo que goste de fazer – esta atividade está ligada aos esportes ou à arte, tanto faz, mas ele tem que gostar de algo, e, para descobrir que gosta, precisa ser apresentado – isso é função dos pais. A atividade, o hobby, esse interesse por algo que lhe dá prazer vai ajudar muito - na verdade, vai ser imprescindível quando as frustrações da adolescência chegarem – e pode garantir uma distância segura dos alucinógenos – porque esses são apresentados como artifícios de esquecer as dores, os medos e as frustrações tão comuns nessa fase da vida. Aos dezesseis anos, eu tocava piano toda vez que me sentia triste, então lhes pergunto: O que poderia ter sido se meus pais não tivessem me apresentado à música?
Meninos e meninas caminham, cada um em seu tempo, em sua velocidade, para a idade adulta e para chegar, passam pela turbulenta fase da adolescência. Mesmo seguindo todas as dicas, não é fácil. Somos pais apressados e ansiosos numa sociedade turbulenta, porém, até a idade adulta,  a responsabilidade é nossa.

sábado, 8 de novembro de 2014

ADOLESCENTE – MANUAL DO USUÁRIO
Como escrever sobre a adolescência em apenas uma semana? É impossível! Para entender a adolescência é preciso entender o funcionamento da “nossa máquina” durante esse período que, apesar de ser relativo, costuma ter uma referência etária para começar e para terminar. Entendendo as variáveis e a abrangência das mudanças fica mais fácil conviver com essa “espécie estranha” que nós também já fomos. A adolescência não é boa, nem ruim – é complexa demais para ser catalogada dessa forma – ela é acima de tudo inesquecível para cada um de nós! Penso que seria um sonho se houvesse um manual de instruções para essa fase da vida, e por isso, peço licença por ter dado esse título ao texto dessa semana. Meu objetivo hoje é que possamos entender o que e porque tudo está acontecendo e quais as razões de tanta mudança com aquela, até então, criança que estava ali ontem.
A adolescência é o período entre a infância e a idade adulta. É caracterizado por alterações no desenvolvimento biológico, psicológico e social. Biologicamente o início é sinalizado pela aceleração rápida do crescimento e pelo início do desenvolvimento sexual; psicologicamente, o início da adolescência é sinalizado por uma aceleração do crescimento cognitivo e da formação de personalidade; socialmente, este é um período de preparação para o futuro papel de um jovem adulto.
A adolescência geralmente é dividida em três períodos:
Pré-adolescência (11 aos 14 anos).
O marco principal da pré-adolescência é a chegada da puberdade. A atividade hormonal produz as manifestações físicas, tradicionalmente definidas como características sexuais. Em ambos os sexos, a maior parte dos níveis hormonais adultos é atingida em torno dos 16 anos, mas as garotas começam a puberdade, em média, aos 11 anos, e os meninos aos 13 anos. As grandes transformações orgânicas impõem dificuldades de ajustes mentais correspondentes, por isso é uma fase de grande retraimento, ou seja, é natural que o adolescente fale pouco e que durma mais do que o esperado nessa fase – os hormônios são os culpados.
Adolescência intermediária (14 aos 17 anos)
Dois importantes eventos biológicos ocorrem – ocasionando fortes reações emocionais:  durante este período de transição entre o início e final da adolescência: os meninos finalmente alcançam e ultrapassam a altura e peso das meninas e a menarca (início da menstruação) já ocorreu na maioria das meninas. Como consequência, os assuntos referentes à sexualidade, imagem corporal, gravidez, papéis estereotipados para homens e mulheres, popularidade e identidade estão entre as maiores fontes de angústia e preocupação.
Adolescência tardia (17 aos 20 anos)
Este período dura por cerca de três a quatro anos e termina quando os relacionamentos consigo mesmo e com o mundo estão estabelecidos. É também uma fase de fortes sentimentos e emoções. Duas importantes tarefas durante este período são: transformar-se, de uma pessoa dependente, em uma pessoa independente e estabelecer uma identidade.  Ambas as tarefas são assumidas durante a adolescência, mas estendem-se até a idade adulta e devem ser lapidadas ao largo de toda a vida. A pressão interna e a exercida pela sociedade nessa fase marcarão para sempre a vida desse ser humano.
Ao contrário do que se acredita, a adolescência não chega do dia para a noite, ela vem depois do que chamamos de período de latência. Um período de calmaria que pode ser facilmente visto aos nove ou dez anos de idade. Os pais costumam se assustar coma chegada da adolescência porque a latência é silenciosa, dessa forma, eles acreditam estar convivendo ainda com a criança de seis ou sete anos, mas não. A latência silenciosa é o preparo do organismo como um todo para o “big bang” que está por vir, e dele então, nascer um adulto. É preciso que a fase de latência seja vivida e aí vai uma grande dica para os pais de meninas:  não apressem a chegada da adolescência, é preciso que sejamos meninas desengonçadas e barrigudinhas antes de nos tornarmos mulheres, sim eu sei que é difícil, mas apressar pode embatumar o bolo.
Continuo na próxima semana!

sábado, 1 de novembro de 2014


ATENHA-SE À SUA INSIGNIFICÃNCIA


Eu estava dentro do taxi em São Paulo e ao passar sob o viaduto Santa Ifigênia o taxista me falou:
-Ontem o trânsito ficou parado por duas horas. Um morador de rua se atirou do viaduto.
Na hora cantei mentalmente: “morreu na contramão atrapalhando o tráfego”.
Sou apaixonada pelo Chico Buarque (apesar de) e Chico tem música para tudo – agora mesmo me veio outra “apesar de você...”. Meu texto de hoje fala desses dois versos e do quanto insignificantes somos na existência do universo.  Cada um de nós, moradores de rua ou presidentes da república, somos apenas mais um na multidão e a nossa vida, a nossa existência não é tão importante assim. Ao morrermos, seja pulando do viaduto ou numa queda de avião em Santos, a diferença para o todo é pífia.
Por que falo disso? Por que falo assim? Porque tomar consciência disso pode nos fazer mais felizes.
Grande parte do sofrimento emocional do ser humano está ligada ao egocentrismo. Ser egocêntrico significa achar ou pensar que o mundo gira em torno de si. Esse comportamento faz parte do desenvolvimento infantil e, a regra é que desapareça por volta dos cinco anos de idade; porém, alguns adultos ainda acreditam ser o centro do mundo. A sensação que dá é que estão ainda fixados na fase egocêntrica.
Pessoas egocêntricas sofrem muito sem perceber, veja alguns exemplos:
-Se preocupam demais com a opinião dos outros, pois acreditam que todos estão se importando, falando e observando suas vidas – como se a função dos outros fosse ser plateia. As redes sociais têm sido ferramenta para o aumento do egocentrismo. Algumas pessoas passaram a se imaginar realmente famosas, importantes e a dependência da avaliação dos outros passou a ser maior ainda.
-São intolerantes, não aceitam opinião divergente. Não sabem conviver com as diferenças e são muito agressivas quando frustradas. Se repararem bem, são como crianças que, ao receberem um não, se atiram no chão e se batem. Não entendem que o outro pode pensar e agir da forma que escolher e quiser.
-Não conseguem criar novos conceitos, e nem mudar de opinião. Pessoas egocêntricas são sinestésicas. Elas decidem se vão gostar ou não de algo ou de alguém baseadas na avaliação do quanto o outro lhe é similar no agir, pensar e ser. Seria como eu deixar de gostar do Chico Buarque só porque ele fez campanha política para a candidata à presidência de um partido que não me agrada. Gente egocêntrica é assim, se o serial killer entra para a igreja dele, ele passa a gostar sem crivo algum de avaliação. Sabem por quê? Na fase egocêntrica, a criança não possui capacidade de abstração nem de avaliar o indivíduo de outra forma que não seja a utilidade dele no seu mundo. Alguns adultos ainda são assim, se me é útil ou se concorda comigo, eu gosto, do contrário, não.
Por trás de todos esses comportamentos, acredite, o ser humano egocêntrico sofre.
A vida, o mundo e as pessoas existem e isso não depende da nossa existência – ninguém está no mundo para nos agradar e nem tampouco ser agradado, mas as pessoas egocêntricas – pasmem – não sabem disso.
Desperdício de água, intolerância política e xenofobia estão ligados ao comportamento de seres humanos que estão ainda na fase do egocentrismo; preocupar-se demais com o que o outro pensa de você também; enxergar o outro como menos importante ou como plateia da sua insignificante vida, mais ainda! A liberdade, o respeito e a percepção de que somos apenas mais um nessa grande engrenagem pode nos fazer mais felizes e mais úteis na sociedade. Deixemos de sofrer como as crianças birrentas que se negam a aceitar a realidade. Proponho um grande exercício: observe uma foto antiga, tipo aquelas do século passado com um grupo grande de pessoas em frente á estação de trem. Observe cada uma, imagine seus anseios, suas dores, seus amores – nada disso existe mais, se foram – e quando penso no que deixaram de viver ou de fazer por se imaginarem tão importantes assim, me dói, e lá vem outra música do Chico: “preciso não dormir até se consumar o tempo da gente...”.
Um dia todos nós estaremos estampados nas fotos, então, olhe para dentro de si, acorde e vá ser feliz!



sábado, 25 de outubro de 2014

MÃE, PAI, EU SOU GAY!

“Flores são flores
Vivas num jardim
Pessoas são boas
Já nascem assim
Flores são flores
Colhidas sem dó
Por alguém que ama
E não quer ficar só”

(Cazuza)

Se ouvirem essa frase, e eu lhes digo, agradeçam porque ela é o retrato da confiança e do sucesso na criação do vínculo com um filho. Ao longo da vida, é papel dos pais desenvolver uma relação de afeto, confiança e respeito mútuo com seus filhos, por isso, lhes digo novamente, se ouvirem essa frase, agradeçam. A grande maioria dos filhos que se descobre gay não têm essa coragem e não sentem nos pais um campo seguro e acolhedor a ponto de lhes abrir assim, tão diretamente a sua natureza sexual. Natureza sim, não gosto de chamar de opção, não acredito que alguém escolha a sua opção sexual e vou lhes dizer meus motivos.
Ninguém escolheria fazer parte de uma “minoria” rodeada de preconceito. Ninguém escolheria ser discriminado, nem ser motivo de chacota, de violência. Ninguém escolhe sofrer e não poder amar! Eu sou heterossexual e fico imaginando como seria se eu sentisse o que sinto e que isso, porém, fosse visto pela sociedade como anormal, como pecado, como falta de vergonha na cara, como promiscuidade. Fico pensando em como teria sido a minha adolescência (que já não foi das mais fáceis) se eu me descobrisse apaixonada por uma menina e, ao olhar em volta, percebesse que o que esperam de mim afetiva e sexualmente é outra coisa. Ninguém escolhe quem ama e nem tampouco do que gosta. Acredito que todos que me leem nesse momento já se apaixonaram e sabem do que eu falo. Agora, se coloquem no lugar do outro, e imaginem aquela paixão acontecendo com alguém do mesmo sexo, daquela mesma forma, com aqueles mesmos sintomas – porque é assim que acontece. Quando descobrimos nossa afetividade e nossa sexualidade, ela acontece carregada de paixão, da ideia de amor indestrutível. Ser gay não é ter vontade de transar com alguém do mesmo sexo: É AMAR ALGUÉM DO MESMO SEXO! Desejo sexual todos nós temos, e a maneira como nos comportamos sexualmente independe da escolha de quem seja nosso parceiro. Ser promíscuo não tem absolutamente nada a ver com ser gay. O que vi, ao longo dos anos, dentro e fora da profissão, foram pessoas homossexuais caindo em promiscuidade exatamente por não terem sido aceitas na sociedade única e simplesmente porque se relacionam afetiva e sexualmente com pessoas do mesmo sexo. Promiscuidade existe numa escala muito maior entre heterossexuais e todos nós sabemos disso!
Somos uma sociedade tão preconceituosa que, ao comentar que eu iria escrever sobre esse tema ouvi a seguinte pergunta: “E, mas você não quer que seu filho seja gay né?” Eu disse que daria a resposta por aqui, então digo: eu não quero que me filho sofra, e isso independe de ser gay ou não, mas se essa for a natureza dele eu me preocupo sim, porque quero que ele seja amado e feliz, o que infelizmente nossa sociedade ainda não permite. Não quero que ele seja vítima de preconceito, porém estou pronta para continuar ao lado dele! Cabe aos pais amar incondicionalmente seus filhos, defendê-los e ajudá-los a se defender do mundo. A você que me fez a tal pergunta, penso que talvez se orgulhasse de ter um filho como Elton John ou Adriana Calcanhoto. A verdade é que somos “um bando” de hipócritas né?
O que faz mal à sociedade não é a natureza sexual de cada indivíduo, mas a falta de amor, respeito, compreensão e aceitação da diversidade. Somos todos diferentes e temos todos a mesma obrigação social de viver respeitando para sermos respeitados. Cabe aos pais criar filhos que sejam cidadãos. Quando ouvirem os gritos e os manifestos de um grupo, seja de gays, de negros ou de mulheres, pense que, se houvesse mais acolhimento e menos intolerância, isso não estaria acontecendo.
Aos pais que ouvirem a frase acima, agradeçam, pois possuem filhos que os amam, acolham e façam o melhor. Deem o melhor de si, afinal, se não o fizermos por nossos filhos, por quem faremos? Busquem ajuda profissional para vocês se for preciso, enfrentar preconceitos e falsas verdades que nos foram ensinadas no passado não é fácil para ninguém. Somos uma sociedade em evolução e onde há amor, há saúde, há paz, há felicidade, há respeito.
Quero terminar esclarecendo que a natureza sexual de cada indivíduo é inata, ser homossexual NÃO É e NÃO PODE ser conceituado como doença, transtorno ou desajuste. Ninguém se torna gay, não acredito em nenhum tipo de influência sobre isso, estamos apenas aprendendo a conviver com nosso semelhante, que antes, era obrigado a se esconder. Peço aos pais dispostos a ajudar os filhos na busca por sua felicidade que coloquem o amor acima de qualquer coisa. Eu, como espiritualista assumida, acredito que o amor seja a única religião que se deve praticar.


sábado, 18 de outubro de 2014

DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE

“Nunca despreze as pessoas deprimidas.
A depressão é o último estágio da dor humana.”

(Augusto Cury)

O processo de envelhecimento embora difícil para muitos, é algo que acontece naturalmente, trazendo junto consigo algumas mudanças. Todo ser humano em qualquer fase de sua vida pode experimentar sintomas depressivos. Na terceira idade a probabilidade de padecer desta doença é ainda maior.
As causas da depressão nessa e em outras fases da vida podem ser biológicas e psicossociais. O primeiro refere-se à perda neuronal e diminuição de neurotransmissores. Já os fatores psicossociais são os eventos que ocorrem ao longo da vida: aposentadoria, perda de um ente querido, mudanças na rotina. Doenças físicas e efeitos colaterais destas, como uma dor, por exemplo, também podem causar ou piorar o quadro.
As particularidades da depressão na terceira idade são queixas somáticas como, dores crônicas, distúrbios do sono e apetite. Dentre os sintomas psicológicos, o mais frequente é a perda da capacidade de sentir prazer e déficits cognitivos, particularmente de memória. A depressão em idosos é um importante fator para piora da qualidade de vida destes indivíduos, especialmente para os que permanecem não diagnosticados e sem tratamento. A depressão desencadeia ou mesmo agrava as doenças preexistentes.
Os principais sintomas são:
-Embotamento Emocional: As pessoas gravemente deprimidas, frequentemente sentem-se como se tivessem perdido seus sentimentos, não conseguindo nem chorar. Sentem-se às vezes distante e indiferente em relação às pessoas mais próximas.
-Ansiedade: Nas pessoas deprimidas, essa sensação pode durar meses. Algumas pessoas acordam de manhã num estado de grande ansiedade, porque temem o decorrer do dia.
-Pensamento depressivo: A pessoa depressiva enxerga o mundo sempre por um lado negativo. Sente muita culpa por tudo, esquece-se das coisas boas que já fizeram, relembrando e intensificando as coisas más. Estes tipos de pensamentos negativos destroem a pessoa aos poucos, deixando-a mais deprimida ou ansiosa, formando-se um círculo vicioso.
-Falta de concentração e memória: A pessoa sente dificuldade em se concentrar, se consome por preocupações e pensamentos depressivos tornando-se difícil pensar em qualquer outra coisa. Os problemas com a concentração podem levar á indecisão e falta de atenção, deixando a pessoa confusa e desorganizada.
-Delírios e alucinações: A presença de pensamentos distorcidos que se perdem da realidade. Os delírios ou convicção falsa, considerada inabalável pela pessoa que o tem, podem ocorrer na depressão grave, refletindo e reforçando o humor depressivo.
-Ideias suicidas: Muitas pessoas deprimidas pensam no suicídio, mesmo que seja um pensamento passageiro. Quando a pessoa se encontra num estágio profundo de depressão, o passado lhe parece horrível e cheios de erros, o presente terrível e temem o futuro chega à conclusão de que não vela a pena continuar vivendo, que todos ficariam melhores sem ela, e sendo assim, devem tirar suas próprias vidas.
-Sintomas físicos: como problemas de sono, lentidão mental e física, perda de apetite. Algumas pessoas no lugar dos sintomas comuns a depressão desenvolvem sintomas físicos reversos como dormirem demais, ter um apetite maior e ganhar peso.
Tratamento
O tratamento adequado para a depressão é feito por um médico psiquiatra e por um psicoterapeuta comportamental. A Terapia Cognitivo Comportamental da depressão é um processo de tratamento que ajuda os pacientes a modificarem crenças e comportamentos que produzem certos estados de humor. Ela deve, na maioria dos casos, ser associada á medicação para o reequilíbrio das funções dos neurotransmissores. Uma estratégia imprescindível é “ocupar a vida”, todos nós temos que ter uma razão para viver, para se levantar da cama, somos seres sociais, dessa forma, a busca por companhia, por uma vida social ativa é parte importante no processo de cura da depressão. É preciso ter o que chamamos de AVD (atividade da vida diária), nenhum indivíduo fica saudável por muito tempo sem atividade física e mental. Procure novamente o prazer, ele pode estar em qualquer dessas atividades e é possível, sim, ser feliz durante toda a vida.


sábado, 11 de outubro de 2014


RELAÇÕES PERIGOSAS

Por que tantas mulheres estão se metendo em relações virtuais? O que buscam? Por que elas se apaixonam a ponto de confiar em um desconhecido sem se dar conta do risco que correm?

Eu estava na plateia da gravação do programa do Dr. Flávio Gicovate. Chega uma pergunta enviada pela internet na qual a ouvinte diz estar deprimida. Ela tinha um “namorado” de outra cidade e a relação acontecia no mundo virtual. Na intimidade ela havia se mostrado nua em sua webcam e agora sofria pois com o fim da relação ele havia fotografado uma das cenas e ameaçava mostrar a foto – inclusive ao filho dela.
O mundo virtual facilita a vida, as relações e é sabido que desde o lançamento da primeira edição da revista Playboy, mulheres nuas fazem sucesso. Na revista elas consentem, estão de acordo e receberam por isso – a meu ver, nada de errado. Nas fotos, nos vídeos e na profissão, mulheres ganham a vida com o próprio corpo, não vou me posicionar contra. Acredito na liberdade de escolha de cada indivíduo. O problema não está nem nas fotos nem nos vídeos, mas sim em mulheres carentes e imaturas buscando príncipes encantados em um ambiente onde cada um pode fingir ser quem quiser. Nessas relações elas não só caem na exposição indevida dos seus corpos, mas também são vítimas de golpes financeiros.
Desde que o mundo é mundo, nós mulheres nos apaixonamos com muita facilidade, procuramos amparo, idealizamos nossos sonhos e a nossa admiração. Buscamos “príncipes” que nos tirarão do borralho e nos falarão palavras bonitas. Somos todas presas fáceis tanto de serial killers ou golpistas estelionatários, quanto de homens que buscam aventuras, muitas vezes extraconjugais, e que, para isso, seduzem, mentem, juram amor. Talvez o que as mulheres busquem seja serem admiradas, desejadas - o que é muito saudável - porém, não se pode confiar tão cegamente assim em alguém que nunca se viu. O amor é um sentimento que implica sim numa certa cegueira, mas nem sempre sexo vem acompanhado de amor. Há alguns anos, assistindo um programa que a apresentadora Astrid Fontenelle gravava no aeroporto de Guarulhos, uma mulher, muito feliz aguardava por seu “namorado virtual” que chegaria da Austrália para busca-la para o “felizes para sempre”. Astrid resolveu aguardar com ela, afinal era esse o tema do programa. Depois de alguns minutos a mulher recebe um telefonema do tal homem, falando inglês, solicitando o depósito de um dinheiro em uma conta, alegando estar preso na polícia federal. A assistente da apresentadora pega o telefone, o sotaque dele era árabe e aos poucos, fomos vendo o castelo se desmoronar, ali, ao vivo, em frente ás câmeras. A tal mulher estava sendo vítima de um golpe. Foi triste de assistir.
Acredito que, as mulheres que têm sofrido com as consequências desse tipo de relação precisam descobrir porque “se apaixonam” assim tão rápido e com tanta facilidade, é preciso trabalhar as razões de tanta carência, tanta falta de amor próprio e de tanto desamparo. Amor nasce com o tempo, devagar, e é oriundo de uma relação real e próxima. Amor é calmo, vem lento e vai crescendo, alicerçado em confiança e cumplicidade. Sou defensora ferrenha do amor, mas desacredito que ele nasça antes que se olhe nos olhos, que se sinta o cheiro e as pernas tremendo pela presença daquela pessoa.
Como concluiu Dr. Flávio em resposta a tal ouvinte, nada pode ser feito em relação a ter entrado numa roubada vinda de uma relação virtual, a não ser esquecer e aprender com a experiência de cabeça erguida, pois nossa sociedade ainda é muito mais machista do que pensamos. Pessoas ainda afirmarão que “a mulher é culpada” e que “se meteu nisso porque quis”. Sim, ainda somos vistas assim por muitas de nós mesmas!  Desde a adolescência até a terceira idade, mulheres correm o risco de sofrer alimentando falsas esperanças de que “aquele” é o príncipe que chegará em seu cavalo branco. Esqueçam moças, e se quiserem assistir a dois filmes úteis sobre “príncipes” assistam Shrek e A Bela e a Fera. Naqueles personagens pouco principescos é que mora o amor.
Em proporção menor, claro que existem casos de casamentos muito bem sucedidos que nasceram de relações virtuais, mas a quantidade de mulheres se lamentando e sofrendo nos nossos divãs é muito maior. Acredito no bom uso da internet e das redes sociais, pode-se conhecer muita gente, fazer muitos contatos, mas relações de verdade, só existem no mundo real. O amor? Também.


sábado, 4 de outubro de 2014

EU TIVE DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Atendendo aos e-mails que me solicitaram escrever sobre o assunto, estou republicando um texto que escrevi a quase dois anos, o meu depoimento é real e fidedigno.
Meu nome é Viviane, sou psicóloga sou a mãe do Arthur. Meu objetivo com este depoimento é não só alertar, mas desmistificar um assunto rodeado de tabus e falsos conceitos: a Depressão pós-parto. Acredito que todas vocês já tenha lido inúmeros artigos sobre o assunto, teóricos e técnicos, além do mais, hoje em dia é bem fácil conseguir informações sobre isso. Difícil é falar de como, de fato, a depressão pós=parto acomete mulheres de todas as idades.
A pergunta mais sem nexo que ouvi quando estava doente foi:
-“Mas você? Psicóloga, teve depressão pós=parto?” Como se médicos não adoecessem, e cirurgiões dentistas não tivessem dor de dente!
Eu tive depressão pós-parto e é disso que quero falar com vocês. Acredito que contando minha história possa ajudar muitas mulheres e muitas famílias a perceber e conduzir melhor o problema. Quero também lembrar que, todas nós mulheres, podemos passar por este quadro no período pós-parto, e que, ser psicóloga me ajudou a perceber o que eu tinha, mas não me isentou de sentir, e de sofrer. Somos humanos e, cada vez mais temos que entender que esta condição implica sempre em dualidade, seja de sentimentos, seja de pensamentos. Por mais que a maternidade seja um momento repleto de magia, há que se ter consciência de que não é só seu lado poético que existe. Seu corpo muda, a sua vida muda, a sua mente muda.
Eu tive uma gestação tranquila e sem intercorrências físicas, porém, emocionalmente foi um pouco conturbado e intenso. Logo depois do parto, vieram outros problemas de ordem profissional e acredito que tenham também me deixado mais sensível, porém, essencialmente, a queda brusca de hormônios, associada à mudança radical das atividades da vida diária, me levaram a um estado de profundo desânimo e distorção da realidade.
Via minha vida sem perspectiva nenhuma, não tinha forças nem físicas nem mentais para levantar da cama. Cuidar do meu filho se tornou um fardo e eu não me sentia mais segura longe das pessoas. Ao ouvi-lo chorar, queria correr, fugir e parecia que nunca mais eu seria feliz. Junto disso sentia uma culpa enorme por não estar “radiante” com a chegada de um filho que foi muito esperado e planejado e sentia-me impotente diante do choro dele, não sabia o que fazer. Comecei a ter muitos medos, muitas inseguranças e meus sentimentos eram confusos. Não queria visitas e meu cansaço físico era imenso.  Depois de quinze dias comecei a perceber meu estado e então pedi ajuda à minha família e à enfermeira que estava vindo para cuidar do meu filho.
Acredito, não só por conta da minha profissão, no poder da mente humana e me propus a sair dessa sem eles. Iniciei o uso de vitaminas e fitoterápicos, sempre deixando claro o que eu sentia: as minhas fraquezas, meus limites. Acredito que esconder é sempre uma péssima decisão.
Procurei não me julgar e entender o que eu estava passando, mesmo que muitos ao meu redor não entendiam. Acredito que a maior dificuldade das mulheres que passam por este estado seja a culpa e a cobrança, tanto do meio quanto de si mesma. Os dias foram passando, as coisas foram se encaixando e hoje estou seguindo minha vida normalmente. É possível enfrentar o problema e passar por ele, desde que se aceite, enfrente e haja com acolhimento e aceitação. Negar nunca resolveu nada, e neste caso vale a regra.
Eis algumas informações que podem ser úteis sobre o assunto:
-Segundo pesquisas A Depressão Pós-parto atinge aproximadamente 15% das mães de todo o mundo, porém acredita-se que este número seja bem maior.
-Não se preocupe com isso durante a gravidez, somente após o parto, caso sinta-se deprimida, procure seu obstetra e conte a sua família seus sentimentos e suas sensações.
-Aos familiares vai uma dica: procurem ficar atentos, entendam, não julguem e principalmente, apoiem.
-Mantenha uma alimentação equilibrada e consuma bastante água. Isso ajuda no funcionamento global do ser organismo e por consequência no reequilíbrio dos hormônios.
-A ingestão de antidepressivos é eficaz e ajuda muito, mas deve ser feita com acompanhamento médico.
-Tenha clareza dos seus limites físicos e emocionais, peça ajuda para quem lhe for mais próximo e confiável.
-Não se culpe. Vvocê não é menos mãe e nem ama menos seu filho por conta do que está sentindo. Seus hormônios estão em desequilíbrio, isso altera a forma como você vê o mundo, as pessoas e as situações. Tudo vai passar, acredite.
-Ter depressão pós-parto não significa que você ame menos seu filho.
-Procure ajuda de um psicólogo, ele vai te ajudar a sair mais rápido do estado depressivo.
Quero finalizar lembrando que todos nós estamos sujeitos a tudo, viver é essencialmente experienciar, tanto o bom quanto o mal. Saiba que a condição humana não deve jamais ser idealizada e quanto mais humana for sua vivência, melhor você irá preparar seu filho para o mundo. Ser feliz faz parte da vida. Ao decidir ser mãe você escolheu ser feliz, apesar dos pesares (sim, porque tudo na vida é “apesar dos pesares”)
Nós, seres humanos fomos feitos para “dar certo”, este é o curso natural da vida.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A MORTE – COMO FALAR E AGIR COM AS CRIANÇAS

A morte é um assunto difícil para todos nós e é ainda mais confuso para as crianças, todavia, um dia precisaremos falar com eles sobre ela e quando isso acontecer eles vão precisar de todo o nosso apoio e sinceridade.
Não existe idade certa para tocar no assunto. O ideal é que se espere a necessidade, seja pelo falecimento de alguém conhecido ou a curiosidade. Aos quatro ou cinco anos as crianças começam a entender as relações da vida e a ter acesso maior às informações, antes disso orientamos que não se adiantem sobre o assunto – a não ser que seja necessário. O que se pode fazer é ir mostrando aos poucos o ciclo da vida. Comece com uma plantinha e vá mostrando como ela nasce, cresce, adoece e morre. Aquele feijãozinho plantado no algodão pode ser um ótimo aliado. A criança pode vivenciar a perda de seu animal de estimação e esse momento, apesar de sofrido é muito rico para que ela crie repertório diante da perda de alguém querido. Cantigas, livros infantis e filmes que tratam do assunto também ajudam.
Existem três pontos sobre a morte que as crianças precisam compreender:
-Tudo que é vivo um dia vai morrer.
-Quando se morre, não há volta.
-Depois de morto, o ser não corre, não dorme, não pensa, não age.
Sobre velórios e enterros não se pode forçar, mas na idade que sugerimos acima, elas podem se beneficiar ao participar junto aos adultos deste ritual de passagem. Explique com detalhes o que é um velório e um enterro e pergunte se ela quer ir. Nunca decida pela criança deixá-la de fora. Os rituais servem para que todos vivenciem melhor a despedida, inclusive os pequenos. Não se preocupe: os especialistas concordam que velórios e enterros não traumatizam as crianças.
Diante da necessidade de contar que alguém morreu, não esconda nada, muito menos invente histórias. Frases como “ele dormiu para sempre”, “descansou” ou “fez uma longa viagem” só vão confundir a cabeça infantil. Crianças levam tudo ao pé da letra e podem achar que a vovó vai acordar ou que todo mundo que viaja nunca volta.  É muito comum também usar a famosa “o vovô virou uma estrelinha”, o que pode levar a criança a acreditar nisso literalmente e ficar elaborando maneiras de chegar até lá. As crianças de até cerca de 10 anos não abstraem. O seu psiquismo em construção não consegue captar os conceitos subjetivos. Elas constroem os conceitos a partir do concreto.
Se a morte for por doença, a criança deve estar por dentro de todo o processo. Explique que a pessoa está doente e que é grave, lembre-a do ciclo da vida da plantinha. Quando tiver que dar a notícia, fale com calma, com acalento e use sempre a palavra ‘morte’ - isso é bastante importante. Se a morte for inesperada, aja da mesma maneira – nesses casos, todos estão sofrendo, por isso apoiem-se uns aos outros. Abra espaço para tirar todas as dúvidas que podem estar passando pela cabeça da criança. Não é necessário esconder as emoções, apenas observe se sua atitude não está sendo traumática.
E quando ela perguntar o que significa morrer? Primeiro, elabore seus próprios conceitos sobre a morte e sobre a possível continuidade da vida, porque só poderemos responder às crianças respeitando nossa própria verdade. Explique que nem todos pensam como papai e mamãe, fale sobre as versões de outras religiões, inclusive do ateísmo e lembre que é preciso respeitar todas elas. Mais uma vez vem o conselho de todos os especialistas: seja honesta!  Nem sempre você terá todas as respostas e quando não tiver busque-a junto com seu filho.
Durante o luto demonstre que, como ela, você também está sofrendo e sente saudades. Deixe que a criança fale sobre seus sentimentos e, acima de tudo, dê apoio e acolhimento. Garanta que ela nunca estará sozinha e sempre haverá alguém para cuidar dela. Isso porque o ente que se foi pode ser um dos pais ou a criança pode se sentir insegura ao pensar na mortalidade deles. Não exclua as crianças das conversas, da tristeza. Ouça o que elas têm pra falar ou peça para que desenhem o que estão sentindo.
É natural que os pequenos apresentem mudanças de comportamento depois que recebem a notícia da morte de alguém com quem convivem. Além do choro e da raiva, alguns apresentam dificuldades na escola, hiperatividade ou até ficam doentes. Considere a ajuda de um psicólogo e até da escola. É importante que a criança sinta que tem o apoio e a atenção dos colegas e dos professores.
Assim como acontece conosco, a memória afetiva nunca vai desaparecer. Depois de certo tempo, todos nós alcançaremos o chamado luto saudável, quando se percebe que é possível se lembrar do ente querido de forma leve e sem sofrimento.

CONSUMISMO E COMPULSÃO

Quando chegou ao meu consultório, S. tinha dívidas com a administradora de quinze cartões de crédito, uma dívida com o banco três vezes maior que o seu salário mensal e seu comportamento já ameaçava seu emprego e sua vida conjugal. Estava fazendo uso de uma medicação antidepressiva e seu relato era: “eu preciso comprar algo todos os dias”. S. tinha menos de trinta anos e sua vida estava muito pior do que ela podia enxergar. Em sua casa, dentro de armários e gavetas havia roupas, maquiagem, perfumes, sapatos, bolsas e bijouterias que nunca haviam sido usadas, muitas ela escondia para que o marido não visse. Com o tempo fomos percebendo juntas que ela nutria uma grande frustração desde que o pai saiu de casa, e, desde então os comportamentos compulsivos começaram. A necessidade de comprar foi aumentando e ela passou a só se sentir bem quando comprava, porém, a sensação prazerosa durava cada vez menos.
Desde os anos 80 quando os shoppings passaram a ser sinônimo de passeio e bem estar, houve um aumento progressivo do hábito de comprar. A psiquiatra Maria Beatriz Barbosa Silva lançou recentemente um excelente livro que descreve a compulsão por comprar, uma doença que apesar de ainda não ter sido classificada, já tem sido diagnosticada e tratada por colegas meus e por psiquiatras.
O consumo compulsivo, também chamado de oniomania está relacionado a transtornos do impulso, no qual também se enquadram jogadores patológicos, dependentes de internet e pessoas que sofrem de amor patológico. A doença é desencadeada por questões emocionais não percebidas pelo indivíduo ou mesmo percebidas e vistas como frustrantes e negativas.  Comprar serve como descarga para essas emoções. O problema começa porque o alívio é imediato, porém pouco duradouro e dessa forma, a necessidade de repetir o ato se torna cada vez maior – muito parecido com o que ocorre com dependentes químicos. O prazer no momento da compra é muito alto, mas passa a partir do momento que se sai da loja. È muito comum compradores compulsivos relatarem que nem se lembram do que compraram, muitas vezes encontram sacolas “perdidas” em casa, cujas mercadorias nunca foram sequer usadas, alguma ainda mantém a etiqueta. O que um comprador compulsivo procura é a sensação de comprar, quando ele olha um produto na vitrine, passa a ser dependente dele, porém, o desejo intenso desaparece no ato da compra e, imediatamente, ele passa a desejar algo novo, que ainda não tem, e a esse algo ele liga seu bem estar, seu status – como se não pudesse viver sem aquilo. O padrão que se estabelece é um ciclo-vicioso interminável.
Acredita-se que três em cada cem brasileiros seja um comprador compulsivo e os prejuízos da doença são graves, pois afetam todos os departamentos da vida do indivíduo.  O número de compradores compulsivos aumentou tanto que já existe um grupo de apoio chamado DEVEDORES ANÔNIMOS. O grupo atua no Brasil desde 1997 e tem como base a proposta dos grupos norte-americanos e europeu.
O compulsivo por compras costuma negar o distúrbio, escondendo os prejuízos financeiros e compras de si mesmo, da família e amigos. Por isso, é importante estar atento ao seu  comportamento e ao de todas as pessoas a sua volta, visto que na maioria dos casos o paciente só busca ajuda quando já perdeu completamente o controle de sua vida.
Os sintomas abaixo podem sinalizar um comprador compulsivo, é importante ficar atento a eles:
- Preocupação excessiva em relação ao consumo e pensamentos constantes sobre compras;
- Perda da noção do tempo quando se está fazendo compras ou gasto maior de tempo do que o planejado inicialmente.
- Consumo para aliviar emoções ruins, se animar, revitalizar a autoestima, aliviar o estresse etc.
- Hábito de fazer compras sozinho para evitar a repreensão de pessoas próximas ao que se quer comprar.
- Críticas frequentes de familiares a seus hábitos de consumo e gastos.
A demora em reconhecer que possui um distúrbio pode ser uma das maiores dificuldades do tratamento, que geralmente é feito por meio de psicoterapia e em alguns casos uso de medicamentos que ajudam a controlar o humor, a ansiedade e a depressão. Antes de começar qualquer tratamento é importante buscar a ajuda de um profissional qualificado, que pode ser um psicólogo ou psiquiatra.

sábado, 13 de setembro de 2014

FILHOS, POLÍTICA E COMPORTAMENTO.
Porque a criação dos nossos filhos está intimamente ligada ao futuro do nosso país.
Política não é a especialidade dos psicólogos, comportamento humano sim. Então convido vocês a refletirem comigo sobre nós mesmos. Vou descrever comportamentos amplamente vistos na nossa cultura e que, se não modificados vão continuar gerando, entre outras consequências, a permanência do atual cenário político do nosso país.
Vejam a seguinte descrição do nosso povo, feita por ingleses que viveram aqui entre 1800 a 1900: "Povo alegre e simpático, mas extremamente preguiçoso e ignorante. Até o serviçal têm serviçais. Ninguém gosta de fazer um mínimo trabalho braçal". O trecho é de um livro que fala sobre a presença inglesa no Brasil colônia. Parece que temos passado essa cultura de pai para filho.
Criamos nossos filhos sem ensiná-los a tirar o prato da mesa, a ajudar nas atividades domésticas, a arrumar a própria cama. Impedimos que colaborem, deixamos de ensinar que cuidar de si e fazer sua parte no convívio familiar é regra e isso vai valer para quando ampliarem as relações. Ensinamos que não é preciso fazer nada; a roupa surge milagrosamente limpa na gaveta, a comida aparece em um passe de mágica pronta na mesa e os pratos se lavam sozinhos - sendo assim, quando eles crescem, continuam se fazendo de mortos e esperando que alguém faça as coisas para eles. Fabricamos futuros adultos preguiçosos e folgados. Somos mesmo um povo que busca serviçais para tudo, achamos lindo colocar gasolina no próprio carro quando estamos a passeio pelos Estados Unidos da América, mas aqui, não somos capazes nem de lavá-lo. Ensinamos aos pequenos, desde muito cedo, a expressar sinais de pertencer a uma classe social privilegiada e eles crescem se achando “a realeza”.
Enquanto cidadãos, achamos que o nosso tempo e o nosso espaço vale mais que o dos outros. Furamos fila, paramos nossos carros em locais proibidos. Não temos senso algum de coletividade. Achamos lindo andar de metrô no exterior, mas na nossa vida cotidiana, somos incapazes de andar de transporte público ou até mesmo de revezar as idas de carro ao trabalho com um companheiro. Vivemos para ostentar, para usufruir, e só. Brasileiros se mudam para casas enormes, cuja parte externa está linda e impecável, porém dentro delas, não há lustres nem conforto algum, estão inacabadas  -nossa preocupação é com o que o outro vê, mesmo que isso custe dormir em um quarto cujo chão ainda está no contrapiso.
Não seguimos as regras, nem tampouco as leis. Chegamos atrasados nos compromissos. Atendemos nossos clientes e pacientes com duas, três horas de atraso. Não separamos nem sequer o nosso lixo. Pagamos por benefícios, por exclusividades que deveriam ser nossos direitos. Expomos crianças de três anos ao que é uma roupa de grife e ensinamos a elas que as pessoas são melhores quando as usam. E pior, usamos réplicas de roupas e acessórios das referidas grifes na tentativa de mostrar que podemos comprar e pagar caro,  mesmo sabendo que são de péssima qualidade além de serem produto de trabalho escravo, infantil e que nenhum imposto é pago pelos “fabricantes” delas. Somos um povo puxa saco e bem pouco afetivo. Gostamos de quem tem, não de que é alguma coisa. Pensamos ser melhores que os outros, tudo tem que girar ao nosso redor e tudo tem que ser na hora em que queremos.
Não aceitamos restrição, só pensamos nos privilégios, criticamos com maestria os políticos do nosso país, mas oferecemos dinheiro ao garçom para que ele deixe o uísque da festa na nossa mesa. Isso é pagamento de propina, é corrupção, não é? Comportamentos assim são vistos e serão imitados por nossos filhos!
Furtamos roupão de hotel, copos de bares e qualquer coisa que esteja ao nosso alcance. Gostamos de tudo que é grátis, porém, não usamos o sistema único de saúde. Não gostamos de ler, nem de arte. Dividimos os locais onde frequentamos como se vivêssemos em castas indianas. Olhamos para os problemas sociais gravíssimos do nosso país com muita pena, muito pesar, mas só. Nosso mundo é outro e nada nos interessa se não pudermos tirar alguma vantagem - assim, deixamos de passar conceitos básicos de solidariedade, de convívio, de educação e de realidade aos nossos filhos.
Daqui a vinte anos, quem serão os responsáveis pela administração pública do nosso país? De nada adianta matricular seu filho na melhor escola do mundo se continuar agindo como se a luz amarela do semáforo fosse para avançar. De nada adianta esse inconformismo todo com a situação política do nosso país se nós continuarmos agindo como idiotas. Primeiro precisamos administrar nossa vida e nosso lar com honestidade, dignidade, bom senso, e acima de tudo, com caráter. Enquanto a ética, as leis e as regras só valerem para o outro ou para o nosso benefício, nada vai mudar.

sábado, 6 de setembro de 2014

TPM

“Mas é preciso ter força, é preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria, mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania de ter fé na vida.”
(Maria, Maria – Milton Nascimento)

Me sinto na obrigação de escrever sobre Tensão Pré Menstrual. Não há como falar de gente, de sentimento, sem falar dela. Escreverei aos homens e ás mulheres, sem a preocupação de situá-los sobre questões bioquímicas referentes à bagunça que o estrógeno e a progesterona fazem no corpo das mulheres, até porque o estrago não é de todo ruim. Costumo dizer que os hormônios são os responsáveis pelo nosso movimento. Hormônio é vida.
A identificação da TPM se dá pelos sintomas abaixo:
Humor deprimido;
Raiva ou irritabilidade;
Dificuldade de concentração;
Falta de interesse pelo que se costuma gostar;
Aumento do apetite;
Insônia ou hipersonia;
Sensação de falta de controle sobre si mesmo;
Algum sintoma corporal (dores, inchaço, etc)

Durante o intervalo de 12 meses a mulher deverá ter apresentado na maioria dos ciclos pelo menos cinco dos sintomas acima.
O estado de Tensão Pré Menstrual quando agudo altera drasticamente o pensamento e o comportamento. Se eu pudesse dar uma sugestão do que fazer em dias assim eu diria: não se mexa e tome muita água. A água ajuda muito nas cólicas e no funcionamento do sistema linfático e isso faz com que a tempestade passe mais rapidamente; já o não se mexer é para evitar catástrofes. Tudo que você faz nesses dias, faz em um estado de semiconsciência. A sensação que se tem de si mesma, do mundo e dos outros é completamente distorcida. Em dias assim evite agir. Evite qualquer tipo de compra, evite qualquer mudança radical no salão de cabeleireiro, evite discutir todas as suas relações, evite exageros.
Vai passar.
Nós nos relacionamos com o mundo externo através de quatro canais: o nosso pensamento, o nosso sentimento, a nossa sensação e a nossa percepção. Os hormônios são um dos responsáveis pelo comando desses canais, pois influenciam os nossos cinco sentidos (audição, paladar, olfato, tato e visão) - responsáveis pela percepção e pela sensação e influenciam também outros setores da nossa mente - responsáveis pelo pensamento e pelo sentimento. Sendo assim, desequilíbrio hormonal significa desequilíbrio de todos os nossos canais de contato, seja com o mundo, com as outras pessoas ou conosco.
Ao olhar-se no espelho em dias de Tensão Pré Menstrual o que se vê é uma realidade distorcida, ao olhar para o mundo também. O que vem de fora chega impregnado, as palavras e os olhares dos outros são interpretados de forma ruim. A comida tem sabor diferente, os aromas causam náuseas e ouvir uma música pode levar aos prantos. Eu comparo a TPM a algo que vivia muito na minha infância: queimadura de sol. Quem nunca passou por Tensão Pré Menstrual pode entender um pouco ao se lembrar de como ficamos quando abusamos do sol. È um estado inflamatório, sensível. Ações simples como comer, dormir, conversar, trabalhar e tomar banho ficam difíceis nesses dias. Em estados de TPM ou de queimadura de sol – só de encostar dói!

Nem todos os estados de TPM são considerados graves, contudo é importante estarmos atentos. Existem formas de se controlar o desequilíbrio hormonal e para isso é imprescindível procurar seu ginecologista. Hábitos saudáveis (alimentação e atividade física) também ajudam muito e do ponto de vista psicológico a dica é essa: não aja. Tensão Pré Menstrual não é bobagem, não é frescura e por mais que os homens percebam, eles jamais vão sentir, pois não sofrem grande influência dos hormônios citados. Cabe a eles entender, aceitar, apoiar e sugerir a busca de um profissional caso a situação esteja difícil de controlar. A nós mulheres, cabem as palavras do Milton Nascimento: (...)nessa mistura de dor e alegria, ter, acima de tudo,  fé na vida. Vai passar.