sábado, 29 de março de 2014

POR QUE MENTIMOS?

“Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira” (Renato Russo)

O dia 01 de abril surgiu como uma brincadeira, na França, no reinado de Carlos IX. Desde o começo do século XVI, o ano novo era comemorado em 25 de março, com a chegada da primavera. As festas incluíam troca de presentes e comemorações, duravam uma semana e terminavam em 1º de abril. Em 1562 o papa Gregório XIII instituiu um novo calendário para o mundo cristão – o calendário gregoriano – no qual o ano novo passou a começar em 1º de janeiro; porém o rei francês só seguiu o decreto papal dois anos depois, e, mesmo assim, como a comunicação era bem mais lenta naquela época, muitos continuaram a seguir a antiga data. Diante disso, alguns gozadores começaram a ridicularizar os “resistentes” e “desinformados” que foram apelidados de "bobos de abril" – enviando presentes sarristas e falsos convites para festas. Com o tempo, esse hábito estendeu-se por todo o país, de onde, cerca de 200 anos depois, migrou para a Inglaterra e daí para o mundo.

E no que diz respeito ao nosso comportamento: Por que mentimos?

Todos os seres humanos mentem. A mentira está presente no comportamento humano desde a infância e em todas as culturas. Mentimos por infinitas razões, mas elas estão sempre ligadas a dois aspectos: proteção de nós mesmos e preservação da nossa imagem.

Mentir é considerado uma capacidade cognitiva, tanto que as crianças começam a mentir entre dois e três anos e nem sempre o ato está ligada a uma deficiência no caráter. Sempre que tentamos, verbalmente ou não, distorcer a realidade, estamos mentindo. Por isso há vertentes na filosofia que acreditam que, o simples ato de tingir os cabelos já pode ser considerado “mentir” ou “falsificar” a nossa imagem.

O tipo de mentira que se conta e principalmente as consequências dela é que muda a gravidade da ação em si. A mentira se torna nociva e pode ser considerada até uma doença quando é frequente demais, quando suas consequências são danosas para si ou para os outros e quando está ligada á não aceitação de si mesmo. Mentir ser quem não é ou afirmar ter o que não se tem está intimamente ligado a um sério problema de autoestima. Grandes mentirosos são, na realidade, pessoas muito frágeis, com um péssimo conceito sobre si mesmo. Os desorganizados também costumam mentir muito, vivem inventando desculpas e justificativas para os compromissos que não conseguem ou se esquecem de cumprir. Outro tipo que mente bastante é o que quer agradar a todos, os chamados “escravos da opinião social”.

Dentre as pessoas com falhas no caráter, todas mentem para conseguirem seus objetivos – assassinos mentem, ladrões mentem, traidores mentem, estelionatários mentem, corruptos mentem, psicopatas mentem - e muito bem, diga-se de passagem – todos com as piores intenções. Por outro lado, as mães mentem para proteger os filhos, e muitos já mentiram para salvar a sua própria vida. Há quem minta por amor, por compaixão, para proteger um amigo da dor desnecessária que uma verdade pode causar. Ao contrário do que se pensa, nem todas as verdades precisam ser ditas.

Ao mentir, tome alguns cuidados: primeiro, questione-se se é mesmo necessário; segundo, pergunte sempre a si mesmo se está seguindo o seu código de ética e valores; e terceiro, jamais minta para si mesmo.

sábado, 22 de março de 2014

ALGUMAS RAZÕES PARA FAZER PSICOTERAPIA

Apesar de infinitos os motivos pelas quais sofremos emocionalmente, eis algumas razões para procurar a ajuda de um psicoterapeuta.
-DIFICULDADES NOS RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS. Seja nas relações sociais, afetivas, profissionais ou familiares, um entrave gera sofrimento e outras perdas. O ser humano é uma espécie que nasceu para viver “em bando”. Inabilidade em se relacionar causa sofrimento, seja pelo isolamento ou pela inadequação de um comportamento, por exemplo, agressivo. As dificuldades nos relacionamentos afetam o desempenho, na escola, no trabalho, na vida em geral. Não relacionar-se impede a nossa evolução em todos os aspectos. Durante o processo de psicoterapia, podemos observar mais detalhadamente cada uma das nossas relações e entender porque algumas delas falham. É comum pessoas nos procurarem por dificuldades de relacionamento afetivo, por exemplo, e vivenciar uma grande evolução durante o processo.
-TRANSTORNOS PSICOLÓGICOS. Comportamentos depressivos, ansiosos, fóbicos, além das crises de pânico e transtornos alimentares como anorexia e bulimia também são indícios de que se precisa de ajuda profissional.  Essas são as principais doenças que afetam a sociedade atualmente, e devem ser tratadas com acompanhamento psiquiátrico e psicoterapia, por isso devem ser muito bem diagnosticadas. O bom psicoterapeuta é o que sabe encaminhar ao psiquiatra e vice versa. É preciso ter muita atenção ao diagnóstico. Transtorno de Ansiedade Generalizado (TAG), Síndrome do Pânico, Depressão e Transtornos Alimentares são exemplos de doenças com causas físicas (desequilíbrio em produção de hormônios) e emocionais – por isso é preciso atuar em ambos os pontos.
-STRESS PÓS-TRAUMÁTICO. S]ao caracterizado por traumas emocionais agudos causados pela vivência de situações como: perda de um ente querido, acidentes de qualquer espécie, assaltos ou qualquer tipo de exposição à violência; entre outros eventos.  As reações podem ser as mais variadas, e muitas vezes são físicas, mas a principal delas é o medo de voltar ás atividades da vida diária. Todo reação fóbica (de medo), resulta em fuga/esquiva, por isso é preciso buscar ajuda, ou corre-se o risco de nunca mais conseguir retomar a rotina. Um trauma pode permanecer por toda a vida caso não seja superado – a psicoterapia atua exatamente na superação do mesmo. Nesses casos também existe a necessidade de encaminhar para acompanhamento médico. Importante lembrar, não só esse, mas todos os quadros de stress indicam necessidade de psicoterapia.
-AUTOCONHECIMENTO. Entender-se e descobrir-se faz de cada um de nós pessoas melhores. Lapidar conceitos sobre si mesmo, melhorar a autoestima e a autoimagem nos fazem mais felizes. Conhecer e aceitar nossas características físicas ou nossa opção sexual, por exemplo, são etapas importantes para nos tornarmos maduros emocionalmente. A não aceitação de si mesmo é receita de fracasso em qualquer quesito da nossa vida. Evoluir e buscar o que se quer é uma obrigação tão grande quanto cuidar da saúde física. A psicoterapia é um processo de desvendar-se, é superar os obstáculos criados muitas vezes por nós mesmos.
Termino com a frase que mais gosto de um grande homem, conhecido como o pai da psicanálise, por quem nutro profundo respeito: “NO DIA EM QUE A VONTADE FOR MAIOR QUE O MEDO DE MUDAR, A PESSOA MUDA!” – só procure um psicoterapeuta se estiver disposto a mudar – para melhor!

sábado, 15 de março de 2014

O CASAMENTO ACABOU, E AGORA?

Como conduzir a relação com os filhos de uma relação desfeita.

Se nos dias de hoje a sociedade já evoluiu a ponto de não obrigar as pessoas a permanecerem em relacionamentos afetivos falidos somente por conta dos filhos, por outro lado, temos enfrentado uma realidade bastante difícil para todos os membros da então família desfeita.
Na busca pela felicidade é preciso que cuidemos do fim do relacionamento afetivo de modo que todos saiam com o mínimo de prejuízo emocional possível.
Não devemos encarar o fim de um casamento ou de uma relação como um dano irreparável na vida dos filhos, afinal, ensinamos os pequenos pelo exemplo, vindo das nossas atitudes. Se mantivermos atitudes positivas, eles passarão pela mudança sem trauma.
Há muito mais responsabilidade do que se imagina quando se coloca um ser humano no mundo, então temos que achar saídas e não obstáculos.
Vamos a algumas dicas importantes:
-Ao fim da relação dos pais, é muito importante procurar ajuda de um psicoterapeuta. Via de regra as crianças ficam com a mãe e é preciso que um profissional ajude na comunicação entre os pais – ela deve ser mantida e é imprescindível que, para o bem dos filhos, pai e mãe se respeitem, pois terão que manter contato e comunicação constante durante toda a infância e adolescência dos filhos. Lembrem-se: existem ex maridos e ex mulheres, mas não existem ex pais e nem ex mães.
-São poucas as relações que terminam bem. A psicoterapia pode ajudar a lidar com a frustração e a agressividade decorrentes do fim de um relacionamento. Procure ajuda e jamais envolva os filhos. Eles precisam entender que o amor do pai e da mãe por eles está mantido – o que acabou foi apenas a relação entre os pais. Tentar colocar o pai ou a mãe contra os filhos é um jogo sujo, cruel e faz muito mal ao desenvolvimento emocional da criança.
-Crianças criam fantasias e são muito tendenciosas a se culparem, é preciso que se conduza muito bem o fim da relação dos pais para que a criança não se sinta equivocadamente culpada ou responsável - e sofra com isso.
-Aos pais, o mais importante recado: não se culpem! Manter um casamento apenas pelos filhos não é uma boa escolha. Ensinamos nossos filhos a serem felizes sendo felizes! Criar uma criança em um ambiente violento ou hostil, onde vivem pais frustrados pode fazer mais mal do que adequa-los a uma nova vida e buscar uma vida melhor.
Em resumo, não se deve abdicar e nem se omitir diante da responsabilidade de ser criar um filho em detrimento do fim da relação afetiva com o outro genitor. O diálogo e o respeito entre os pais (estando casados ou não) deve ser o epicentro da relação. Pode se perder o afeto entre o casal e por isso o casamento acaba, mas o respeito não se deve perder jamais. Ninguém gosta de ouvir quem quer que seja falando mal do seu pai ou da sua mãe, pense nisso. As crianças precisam se sentir seguras e amadas e entender que a relação com os pais e o afeto de ambos por elas continuam intactos.

sábado, 8 de março de 2014

PERDOAR OS OUTROS É FÁCIL

Se você vive apontando seu dedo indicador constantemente para seu próprio nariz, cuidado! Algumas pessoas prejudicam outras e pedem perdão, que pode ser aceito ou não; mas há algumas atitudes em que o único prejudicado é você mesmo.
A culpa é influenciada pelas crenças e valores que cada um traz consigo desde a infância e que muitas vezes não corresponde mais aos valores e crenças atuais. Culpa, remorso, arrependimento, são inimigos constantes e nos fazem sentir vergonha, medo e a maior consequência: a autopunição.
Perdoar a si mesmo talvez seja um dos maiores desafios, pois está relacionado com a capacidade, ou melhor, com a dificuldade que cada um tem de se amar e se aceitar. As pessoas não se amam por acreditarem terem feito algo muito terrível, às vezes isso até corresponde à verdade, mas muitas vezes não.
Procure observar se busca demais pela aprovação e reconhecimento  das pessoas em geral, se está sempre à disposição de todos, cedendo em quase tudo, pela necessidade inconsciente de agradar, de ser aceito, mas que muitas vezes confunde-se com a desculpa de querer ajudar e que na verdade oculta a busca pelo amor e atenção.
Uma maneira de cultivar a culpa é estar sempre exigindo perfeição de si mesmo. Para se livrar disso, seja honesto consigo mesmo, pense sobre o que te levou a fazer certas escolhas, agir de determinada forma e, lembre-se que, naquele momento você fez o melhor – ou o menos pior – por si. Nós sempre fazemos o que dá para ser feito. Nunca julgue situações passadas com valores do presente.
Para perdoar-se é preciso rever todas suas crenças, valores, que muitos esquecem que com o tempo podem, e devem, se modificar. Analisar o que fez ou deixou de fazer para poder mudar e crescer é válido, como sentir remorso pela dor que pode ter causado a alguém e pedir perdão. Mas se esse remorso começar a dominar sua vida, vai alimentar seu papel de vítima e a autopiedade. Você deve aprender e crescer com a experiência passada e isso não quer dizer se punir eternamente por algo já feito.
Perdoar a si mesmo exige uma completa honestidade, é um processo de reconhecer a verdade, assumir a responsabilidade pelo que fez, aprender com a experiência, reconhecer os sentimentos que motivaram determinados comportamentos, abrir seu coração para si mesmo, ouvir seus medos, curar certas feridas e isso você pode conseguir amando a si mesmo.
Você pode e deve se livrar de certos padrões de pensamentos e sentimentos. Mude o que não acredita mais, livre-se de tudo que te faz mal, cure a ferida que mais lhe dói. A verdadeira cura é fazer as pazes consigo mesmo. O amor é o remédio mais poderoso que temos.