POR QUE MENTIMOS?
“Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira” (Renato Russo)
O dia 01 de abril surgiu como uma brincadeira, na França, no reinado de Carlos IX. Desde o começo do século XVI, o ano novo era comemorado em 25 de março, com a chegada da primavera. As festas incluíam troca de presentes e comemorações, duravam uma semana e terminavam em 1º de abril. Em 1562 o papa Gregório XIII instituiu um novo calendário para o mundo cristão – o calendário gregoriano – no qual o ano novo passou a começar em 1º de janeiro; porém o rei francês só seguiu o decreto papal dois anos depois, e, mesmo assim, como a comunicação era bem mais lenta naquela época, muitos continuaram a seguir a antiga data. Diante disso, alguns gozadores começaram a ridicularizar os “resistentes” e “desinformados” que foram apelidados de "bobos de abril" – enviando presentes sarristas e falsos convites para festas. Com o tempo, esse hábito estendeu-se por todo o país, de onde, cerca de 200 anos depois, migrou para a Inglaterra e daí para o mundo.
E no que diz respeito ao nosso comportamento: Por que mentimos?
Todos os seres humanos mentem. A mentira está presente no comportamento humano desde a infância e em todas as culturas. Mentimos por infinitas razões, mas elas estão sempre ligadas a dois aspectos: proteção de nós mesmos e preservação da nossa imagem.
Mentir é considerado uma capacidade cognitiva, tanto que as crianças começam a mentir entre dois e três anos e nem sempre o ato está ligada a uma deficiência no caráter. Sempre que tentamos, verbalmente ou não, distorcer a realidade, estamos mentindo. Por isso há vertentes na filosofia que acreditam que, o simples ato de tingir os cabelos já pode ser considerado “mentir” ou “falsificar” a nossa imagem.
O tipo de mentira que se conta e principalmente as consequências dela é que muda a gravidade da ação em si. A mentira se torna nociva e pode ser considerada até uma doença quando é frequente demais, quando suas consequências são danosas para si ou para os outros e quando está ligada á não aceitação de si mesmo. Mentir ser quem não é ou afirmar ter o que não se tem está intimamente ligado a um sério problema de autoestima. Grandes mentirosos são, na realidade, pessoas muito frágeis, com um péssimo conceito sobre si mesmo. Os desorganizados também costumam mentir muito, vivem inventando desculpas e justificativas para os compromissos que não conseguem ou se esquecem de cumprir. Outro tipo que mente bastante é o que quer agradar a todos, os chamados “escravos da opinião social”.
Dentre as pessoas com falhas no caráter, todas mentem para conseguirem seus objetivos – assassinos mentem, ladrões mentem, traidores mentem, estelionatários mentem, corruptos mentem, psicopatas mentem - e muito bem, diga-se de passagem – todos com as piores intenções. Por outro lado, as mães mentem para proteger os filhos, e muitos já mentiram para salvar a sua própria vida. Há quem minta por amor, por compaixão, para proteger um amigo da dor desnecessária que uma verdade pode causar. Ao contrário do que se pensa, nem todas as verdades precisam ser ditas.



