sábado, 27 de dezembro de 2014


MEUS DESEJOS PARA O ANO NOVO


Quero alegria nos rostos, quero gente feliz, ou melhor, quero gente que saiba ser feliz!
Quero força para lutar e vontade de mudar.
Quero políticos honestos, empresários comprometidos, e povo participativo.
Quero gente que reclama menos e faz mais.
Quero que o brasileiro aprenda o conceito de coletividade (de uma vez por todas).
Quero o fim dos maus tratos, do abandono e do uso dos animais.
Quero saúde, educação, saneamento, e todos os outros itens que fazem ser possível se viver com decência.
Quero o fim do fanatismo religioso, e o fim dos aproveitadores da "fé", quero o fim dos alienados e o fim do uso do santo nome em vão.
Quero o respeito ao semelhante, quero o fim do preconceito, do racismo, da homofobia, do machismo e de toda a violência causada por esses equívocos.
Quero trabalho e gente disposta a trabalhar.
Quero a valorização da arte e da cultura, quero o respeito aos artistas (já está mais do que na hora) porque eles são melhores do que nós e têm muito a nos proporcionar.
Quero música.
Quero o fim da impunidade, mas quero também justiça aos que descumprem as leis da vida.
Quero crianças alimentadas, cuidadas e seguras. Quero o fim de todo o tipo de violência contra elas.
Quero o fim das guerras, de todas, isso inclui o oriente médio, os estádios de futebol e as nossas casas.
Quero educação nas escolas, respeito aos professores e salários mais justos para essa que é a a mais sagrada das profissões.
Quero pais que educam, que amam e se dedicam aos seus filhos.
Quero dignidade em toda a área de saúde, quero apoio aos cientistas e quero a cura do câncer.
Quero mesas fartas, mas quero também que parem de jogar comida fora.
Quero rios limpos e florestas protegidas, quero respeito ao planeta.
Quero fogo, água, terra e ar em equilíbrio e, no caso da água, quero em ambundância.
Quero menos lixo e mais flores espalhadas pelo chão.
Quero menos smarthphones e mais livros nas mãos das pessoas.
Quero menos rasteiras e mais abraços.
Quero tempo e espaço, quero menos transito e mais caminhos.
Quero mais viagens e menos cirurgias plásticas - nada pessoal - é que trocar a roupa da alma é melhor.
Quero menos sofrimento, menos rejeição, menos frustração, na verdade eu quero que saibamos lidar com isso "de boa" porque faz parte do jogo.
Quero menos orgulho e mais perdão, quero menos “eu” e mais “nos”, menos “ter” e mais “ser”.
Quero que aquele papo de "amar ao próximo como a si mesmo” passe a fazer sentido, quero menos palavras e mais ações.
Quero amor.
Quero recomeço.
Para finalizar:
QUERO AGRADECER, MUITO E SEMPRE, POR TUDO!
Que assim seja!
Um lindo 2015 a todos.

domingo, 21 de dezembro de 2014

OBESIDADE E CARÊNCIA
"A sensação de incompletude se manifesta como um 'buraco' no estômago. É fácil confundi-la com a fome: é preciso atenção para não ficar obeso." (Flávio Gikovate)

Em tempos nos quais a medicina tem atribuído muitos casos de câncer à obesidade, decidi escrever a vocês sobre algo muito visto e falado dentro dos nossos consultórios: a ligação entre obesidade e a sensação emocional de falta, de incompletude que sentimos em alguns momentos da vida.
Quem nunca comeu para suprir uma carência? E por que nunca se come alface nesses casos? A escolha pelo alimento é questão de prazer e está ligada à produção de serotonina. Está comprovado que o chocolate, por exemplo, provoca sim uma sensação de muito bem estar depois de ingerido, já a alface, não. Muitas, talvez a maioria das causas da obesidade esteja ligada à compulsão, ao comer por impulso para suprir um buraco no estômago que não é físico.
Alguns psicoterapeutas acreditam que as dietas para emagrecer acabam fracassando porque levam o indivíduo a pensar muito no assunto, a pensar muito em comida e como consequência, acabarem comendo mais. Pessoas magras não contam calorias, não ficam o tempo todo falando em dietas e não comem para satisfazer carências. Elas têm outros prazeres e por isso não precisam busca-lo na comida. Quer a prova? Apaixone-se! Por algo ou por alguém. Os apaixonados, quando antes acima do peso, emagrecem pelo simples fato de voltarem a comer apenas para saciar a fome física e passarem a buscar prazer no lugar certo. A paixão nos motiva. Pode ser paixão pela vida, por outro indivíduo, por uma arte ou mesmo pelo trabalho.
Em um mondo paradoxal, no qual somos cobrados o tempo todo sermos perfeitos esteticamente, chegando a sacrificar dinheiro e saúde, a população engorda a cada dia. O número de pessoas cujos comportamentos são de compulsão alimentar cresceu nos últimos vinte anos e cresceu muito também, paralelo a isso, o número de pessoas solitárias. O individualismo e as dificuldades de relacionamento interpessoal crescem a cada dia e provocam um “vazio no nosso estômago” e em todo o resto. Confesso a vocês que isso não é só visto em grandes cidades não. Eu não vi diferença na distância interpessoal que se estabelece aqui em São Paulo, da que via na nossa Limeira. É cada um por si e a busca pelo convívio tem sido cada vez mais ligada ao interesse. Desaprendemos de como conviver, de como trocar as energias ao relacionar-se pelo simples fato de que nossa natureza é assim. Sentimos o tempo todo esse vazio, e não culpem apenas os smartphones; eu, sendo bem sincera, acredito que eles sejam mais consequência do que causa do nosso distanciamento uns dos outros.
Uns compram, outros se drogam, e muitos comem. Enfiam a cara no bolo de chocolate porque somos carentes sim, e trocar afeto está cada dia mais difícil. Já repararam que, sozinhos, comemos muito mais? E a melhor: que comer em boa companhia e em um momento de bate papo prazeroso não engorda? Todos nós conhecemos pessoas que cozinham maravilhosamente bem, que adoram comer e que são magras. Vejam bem, são magras, saudáveis, mas não “androides” esquisitos, cujos corpos parecem ter sido fabricados em laboratórios. Não acredito em prazer, nem tampouco em magreza alguma fabricada pela ingestão restrita de frango e batata doce. Como não é minha área, deixo aos médicos endocrinologistas o papel de esclarecer as doenças que isso pode causar.
Sempre brinco com as minhas amigas dizendo que “quem fica murchando a barriga na hora de transar, não goza”, porque essa neurose pelo corpo perfeito também é compulsão. Se comer ou fizer sexo com esses padrões compulsivos de comportamento, não vai funcionar; por outro lado, ao saborear um alimento, qualquer um, com e por prazer, acredite, não vai engordar.
A comida não tapa o buraco e o vazio provocado pela falta de afeto que sentimos, e afeto, como disse o sábio São Francisco de Assis: “é dando que se recebe”.
Ame mais e emagreça.



sábado, 6 de dezembro de 2014

MULHERES MALVADAS

Eu estava na área de recreação infantil de um hotel, no litoral, onde fomos passar o último feriado. Arthur brincava entre outras crianças, até que, resolveu pegar e esconder a bolinha de pebolim interrompendo assim a brincadeira das “crianças grandes”. Imediatamente os meninos me olharam e pareciam dizer: “mãe, olha seu filho e faça alguma coisa!”. Eu me levantei, peguei a bolinha das mãos do Arthur, a devolvi aos meninos e comecei a ouvir o choro e as lamentações do meu filho. Eu disse apenas: “-Arthur a bolinha é da mesa de pebolim e eles estão jogando. Você não pode pegá-la e esconder.” Voltei então ao sofá de onde eu o observava de longe. Ele só tem três anos e meio, ainda preciso vigiar quando ele brinca em locais estranhos. Ao ouvir a reação natural do meu filho à frustração outra mãe se levantou, olhou para mim e disse: “-Deixa ele!” Além disso, foi em direção ao Arthur e começou a consolá-lo. Ele, claro, respondeu positivamente enquanto ela brincava, falava mansamente com ele, o agradava e, ao mesmo tempo, me olhava com condenação e parecia dizer: “Está vendo como se faz”! Como psicóloga comportamental eu afirmo que reforçar um comportamento negativo o tornará mais comum, ou seja, se o Arthur for agradado e consolado quando roubar e esconder bolinhas, ele vai fazer isso sempre.
Agora entra o meu tema dessa semana. Por que as mulheres, mesmo nessa situação tão complexa que é a de educar e mostrar aos filhos como o mundo funciona, competem entre si e se mostram tão pouco afetivas e solidárias umas com as outras? Ao ver a cena eu ignorei ambos e então comecei a me lembrar de que infinitas foram às vezes nas quais eu ouvi outras mães, algumas muito amigas e bem próximas, discursarem sobre a quase perfeição de seus atos enquanto eu contava ou dividia da forma mais humana possível as minhas falhas, os meus medos ou as minhas dúvidas enquanto mãe. Mães erram sim, mas erram tentando acertar. Responder relatando a sua forma perfeita, adequada e sempre correta quando outra mãe lhe confessa algo é no mínimo cruel, e mostra uma incapacidade de ouvir e uma necessidade grande de autoafirmação – coisa de gente que precisa “enfrentar o divã”.
Penso que, se na cena acima fossem dois pais, eles teriam conversado entre si, compartilhado das dificuldades enfrentadas com os filhos de três anos e meio, talvez um dissesse ao outro: “o meu é igualzinho” e a conversa seguiria com empatia e com frases como: “ah deixe chorar, faz parte, a vida é assim”. E é mesmo.
A competição agressiva e desenfreada entre as mulheres, chamada no senso comum de falsidade é vista desde a infância. Menininhas antes dos sete anos já se boicotam e se envolvem em episódios maldosos. Homens são mais sinceros sim, porque não tem a necessidade constante de competir e vencer. Os homens parecem se identificar mais uns com os outros; existem até piadas e chavões que mostram bem esse padrão de comportamento.
Por que somos tão “falsas”? Por que temos essa dificuldade imensa de nos desarmarmos, de nos ajudarmos, de confessar nossas fraquezas, nossos medos, nossos fracassos e nossas celulites? Acabamos por saborear uma solidão desnecessária. Seres humanos, por espécie, vivem em bandos. A amizade é uma das formas mais saudáveis e mais prazerosas de convívio. Ter com quem contar para quem contar é muito importante para nossa saúde mental durante toda a nossa vida. Vejo com frequência mulheres que, na terceira idade não têm amigas, e tê-las seria tão bom e tão importante nessa fase mais calma da vida, nas quais não se ouvem mais as birras, mas se lembram delas com saudade.
Vindo de uma estranha ou de uma grande amiga, a verdade é que, ao ser vista no papel de mãe, todas nós já fomos condenadas – porque julgar ou simplesmente falar da outra é a coisa mais fácil e mais gostosa do mundo para quem não é capaz de se identificar com o outro nem tampouco de amar. Tenho me dedicado atualmente aos autores contemporâneos que escrevem sobre amor em seu mais profundo significado. Amor está em extinção. Ao começar desabafando sobre meu filho que demorou a falar e terminar ouvindo o perfeito desempenho do filho da outra que com pouco mais de um ano falava frases inteiras o que sinto é solidão e a mais pura falta de afeto e empatia. Quem tem prazer ao ouvir a dor alheia sem se comover precisa se lapidar enquanto gente. Há quem diga que a necessidade de tanto aplauso e a incapacidade de ouvir e de acolher o outro um dia há de fazer dessas mães mulheres ausentes e solitárias.
Por que não trocarmos nossas experiências? Por que não se abrir e se ajudar? Por que não caminharmos juntas como semelhantes que somos? Ninguém é melhor do que ninguém e aqui vou abrir um parêntese e confessar: ser psicóloga não faz de mim uma mãe melhor do que qualquer outra; conheço a técnica, mas na teoria é muito fácil e na prática eu me permito como diz Carl Jung, a “ser apenas uma alma humana”.
É uma reflexão complexa demais para o pouco espaço que tenho aqui, mas minha proposta é sempre nos levar a pensar e a mudar. A difícil tarefa da maternidade é apenas um dos aspectos da nossa vida. Nós mulheres precisamos umas das outras, como profissionais, como companheiras, como gente. Por que competimos tanto? Por um homem? Por uma promoção profissional? Por um, ou muitos olhares de admiração? As mulheres dizem ter medo e asco da inveja enquanto que, hipocritamente o tempo todo buscam olhares invejosos. Já ouviram falar em empatia? A empatia é a resposta afetiva a outras pessoas, ou melhor, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação. Talvez seja o momento de começarmos a praticá-la, a nos colocar no lugar do outro ao invés de mostrar o quanto, em nossa opinião, nos achamos tão melhores. Quem propaga uma vida perfeita esconde sujeira debaixo do  tapete.
PS: Quero agradecer a todos os e-mails e mensagens via Facebook que chegaram e que continuam chegando. Esse foi o primeiro texto que escrevi já da minha nova residência em São Paulo. Espero que continuem escrevendo e solicitando temas. Vamos continuar refletindo juntos. A vida na capital tem me proporcionado novas possibilidades de aprimoramento dentro da minha ciência e quero dividir cada nova descoberta com vocês.