sábado, 29 de novembro de 2014

ENSINA SEUS FILHOS A AMAR

Vamos falar de amor?
Dia desses, conversando com uma amiga, ouvi a seguinte frase:
“Falta amor no discurso dele, Vivi!”
Aquilo ficou martelando na minha mente, ela conseguiu definir algo que eu já enxergava: gente que sofre de falta de amor. Falta amor nas palavras, nos olhos, nos gestos...
Muitos já devem ter visto um chavão que está bem na moda: MAIS AMOR, POR FAVOR!
E pensando sempre nessa divina missão de colocar seres humanos melhores no mundo, te convido a refletir comigo sobre o amor e sobre a forma com que ele se propaga.
Quantas vezes você já parou para pensar e analisar o quanto de amor existe nas quase vinte mil palavras que você fala por dia?
Desde que acordamos, somos pensamentos e palavras, que irradiam energia por toda nossa volta e que, podem ser uma bela arma de proliferação de amor (ou de outros sentimentos não tão bons).
Vamos fazer um teste.
Muitas vezes impregnamos nossa vida e os ouvidos de nossos filhos com palavras negativas, pensamentos catastróficos e ideias ameaçadoras. Veja alguns exemplos:

-Isso é feio!
-A moça vai ficar brava!
-O doutor vai te dar injeção se você não parar.
-Se seu amigo bater, bata nele também!
-Eu vou contar para o seu pai.
-Se você agir assim, ninguém vai gostar de você.

Isso sem contar as tantas conversas que nossos filhos ouvem – e absorvem. Já se perguntou o que seu filho te ouve falar?  Que opiniões ele assiste você emitindo sobre algo ou alguém?
Falta amor no discurso do outro - e no nosso também!
Temos como dizer a mesma coisa de formas diferentes. Ao ensinarmos nossos filhos a ter amor e compaixão por tudo e todos a sua volta, nos mostramos modelos de conduta a ser reproduzida por eles. Nossos filhos são criados com exemplos, eles são com esponjas a absorver tudo, inclusive o amor.
Como sempre digo ninguém dá o que não tem, se você não tiver amor, não poderá amar, então o busque dentro de si. Não basta amar seu filho, até porque, com o perdão da palavra, amar um filho é a coisa mais fácil do mundo, é como respirar, o fazemos, sem pensar. Porém, se apesar disso, agirmos com pouco amor ao resto do mundo, de nada vai adiantar.
É preciso amor e compaixão também com o resto da família, com os amigos, companheiros de trabalho, quem está a nossa volta, com quem nos presta um serviço, com quem é diferente da gente, com quem não depende de nós e de quem não dependemos.
Aquele papo de “amar ao próximo como a si mesmo” é sério e bem importante. O amor é a cura de todos os males. Uma sociedade mais digna, mais segura e mais feliz se faz, acima de tudo, com amor.

Dicas simples para ensinar nossas crianças a amar:
-Ensine o amor aos animais. Permita que seu filho tenha um bichinho de estimação
-Mostre respeito e compaixão por quem está trabalhando, por exemplo: mostre aos pequenos a gratidão que deve ter aos coletores de lixo, detalhando como é o trabalho deles e para que serve. Isso vale para todos que trabalham para o nosso bem estar.
-Ensine-o a dizer sempre “muito obrigado”, faça isso dizendo, aos outros e a ele próprio.
-Jamais critique alguém diante do seu filho, procure explicar apenas que aquela pessoa pensa e age de forma diferente, exercendo o direito dela. Isso vale para assuntos como política, religião, futebol e tantos outros.
-Diga sempre que o ama e demonstre seu amor por outras pessoas do convívio da família, tais como pais, avós, etc.
-Seja sempre otimista: evite reclamar, blasfemar e xingar.
-Caso não esteja bem, diga que é só um mal estar, ou uma preocupação, e que vai passar. As crianças tendem a criar fantasias de culpas que não têm. Tranquilize-a de que nada tem a ver com ela, e que todas as tristezas passam (porque passam mesmo...).
-Quando tiver que impor limites, faça-o com firmeza, explique a situação com clareza e após a punição, demonstre seu amor, isso cria seres humanos mais seguros.
-Ame, ame incondicionalmente! É nítida a diferença no olhar das pessoas que se permitem amar.

sábado, 15 de novembro de 2014

ADOLESCENTE – MANUAL DO USUÁRIO – PARTE II

Terminei na semana passada dizendo que continuaria falando sobre adolescência, dizendo que não devemos abrir o forno antes da hora. Nosso assunto de hoje continua sendo a adolescência e a hora certa de abrir o tal forno.
Por que nos apressamos tanto? Por que abrimos o forno antes da hora? Por que o deixamos queimar? Se por um lado estamos mantendo nossos filhos de trinta anos debaixo das nossas asas, o que tenho visto em escala cada vez maior são crianças agindo como adolescentes e por isso, preciso alertar: o risco emocional ao se pular ou apressar fases do desenvolvimento humano é avassalador!
Dia desses uma amiga me perguntou, bastante preocupada e sofrendo muito:
-Vivi, existe algum risco ou malefício em deixar a minha filha de oito anos usar esmalte? Respondi a ela e respondo a vocês:
-Não! O Problema não está no esmalte. Meninas reproduzem o comportamento das suas mães na busca pela identidade sexual. Usam seus sapatos, seus colares, querem pintar as unhas e usar batom! Enquanto esse comportamento estiver ligado á identificação, tudo bem; faz parte do desenvolvimento esse “experienciar” de papéis. O importante é que junto dos esmaltes, da maquiagem e das bijouterias (que devem ser específicas para crianças) estejam os brinquedos e as roupas adequadas às meninas dessa idade.
Existe uma diferença muito clara em permitir que sua filha use batom da de permitir que ela imite uma adulta vinte e quatro horas por dia, que faça escolhas sem supervisão alguma, que não tenha rotina diária, que vá a eventos direcionados a adultos, que ouça conversas de adultos e que, aos sete anos diga que acha Barbie coisa de criança pequena. Até os dez anos o natural é que se interesse por brinquedos e não que seja motivo de chacota por isso! Confesso que sou grata por ser mãe de menino nessas horas, neles, a transição entre os brinquedos e os jogos eletrônicos parece correr em maior calmaria, os esportes os acompanham por um longo período (eterno para alguns) e a forma com que se vestem os homens desde muito pequenos é de me dar inveja, simples, prático e confortável.
Não acho natural, nem tampouco saudável que meninas de nove ou dez anos deixem de brincar, que entendam profundamente de moda, de relacionamento afetivo, e nem que frequentem apenas ambientes povoados por mulheres adultas. Você pode sim levar sua filha com você ao salão de beleza, mas fique atenta sobre as razões pelas quais está fazendo isso – seria um momento de vínculo entre vocês ou apenas está facilitando sua vida?
Para que nossos filhos possam entrar e sair da adolescência de forma saudável é preciso que tomemos alguns cuidados e, o principal deles é não apressar o processo. Cada indivíduo tem seu tempo e, se aos quinze já se tiver “vivido tudo” o que se fará até os vinte? Fiquem atentos pais, e aqui vão alguns toques importantes para serem mantidos até a chegada da adolescência:
-Crianças e adolescentes PRECISAM de rotina, é imprescindível que o ambiente propicie isso para que a mente deles possa se desenvolver. É preciso ter horário para acordar, para dormir, para tomar banho, para se alimentar e é preciso que algum adulto supervisione as suas atividades. Aos seis anos a supervisão é intensa e vai ficando mais leve ao longo do tempo, mas não deve desaparecer. Nenhum pai deve confiar totalmente no seu filho até a idade adulta, isso é muito importante. Finais de semana existem para se quebrar a rotina, mas se ela não existe, fica difícil!
-Não permita que seus filhos façam todas as suas escolhas sozinhos. Participem, demonstrem interesse. Não concordem sempre, questionem e, se for preciso, imponham sua vontade algumas vezes para que o comando não seja unilateral. Permita que ele durma na casa de um amigo, mas diga que no dia seguinte ele acompanhará você (ou vocês) em uma pizza, por exemplo.
-Procurem, com o início da idade escolar (ensino fundamental) oferecer atividades extracurriculares. É muito importante que, na entrada da adolescência, seu filho já tenha escolhido algo que goste de fazer – esta atividade está ligada aos esportes ou à arte, tanto faz, mas ele tem que gostar de algo, e, para descobrir que gosta, precisa ser apresentado – isso é função dos pais. A atividade, o hobby, esse interesse por algo que lhe dá prazer vai ajudar muito - na verdade, vai ser imprescindível quando as frustrações da adolescência chegarem – e pode garantir uma distância segura dos alucinógenos – porque esses são apresentados como artifícios de esquecer as dores, os medos e as frustrações tão comuns nessa fase da vida. Aos dezesseis anos, eu tocava piano toda vez que me sentia triste, então lhes pergunto: O que poderia ter sido se meus pais não tivessem me apresentado à música?
Meninos e meninas caminham, cada um em seu tempo, em sua velocidade, para a idade adulta e para chegar, passam pela turbulenta fase da adolescência. Mesmo seguindo todas as dicas, não é fácil. Somos pais apressados e ansiosos numa sociedade turbulenta, porém, até a idade adulta,  a responsabilidade é nossa.

sábado, 8 de novembro de 2014

ADOLESCENTE – MANUAL DO USUÁRIO
Como escrever sobre a adolescência em apenas uma semana? É impossível! Para entender a adolescência é preciso entender o funcionamento da “nossa máquina” durante esse período que, apesar de ser relativo, costuma ter uma referência etária para começar e para terminar. Entendendo as variáveis e a abrangência das mudanças fica mais fácil conviver com essa “espécie estranha” que nós também já fomos. A adolescência não é boa, nem ruim – é complexa demais para ser catalogada dessa forma – ela é acima de tudo inesquecível para cada um de nós! Penso que seria um sonho se houvesse um manual de instruções para essa fase da vida, e por isso, peço licença por ter dado esse título ao texto dessa semana. Meu objetivo hoje é que possamos entender o que e porque tudo está acontecendo e quais as razões de tanta mudança com aquela, até então, criança que estava ali ontem.
A adolescência é o período entre a infância e a idade adulta. É caracterizado por alterações no desenvolvimento biológico, psicológico e social. Biologicamente o início é sinalizado pela aceleração rápida do crescimento e pelo início do desenvolvimento sexual; psicologicamente, o início da adolescência é sinalizado por uma aceleração do crescimento cognitivo e da formação de personalidade; socialmente, este é um período de preparação para o futuro papel de um jovem adulto.
A adolescência geralmente é dividida em três períodos:
Pré-adolescência (11 aos 14 anos).
O marco principal da pré-adolescência é a chegada da puberdade. A atividade hormonal produz as manifestações físicas, tradicionalmente definidas como características sexuais. Em ambos os sexos, a maior parte dos níveis hormonais adultos é atingida em torno dos 16 anos, mas as garotas começam a puberdade, em média, aos 11 anos, e os meninos aos 13 anos. As grandes transformações orgânicas impõem dificuldades de ajustes mentais correspondentes, por isso é uma fase de grande retraimento, ou seja, é natural que o adolescente fale pouco e que durma mais do que o esperado nessa fase – os hormônios são os culpados.
Adolescência intermediária (14 aos 17 anos)
Dois importantes eventos biológicos ocorrem – ocasionando fortes reações emocionais:  durante este período de transição entre o início e final da adolescência: os meninos finalmente alcançam e ultrapassam a altura e peso das meninas e a menarca (início da menstruação) já ocorreu na maioria das meninas. Como consequência, os assuntos referentes à sexualidade, imagem corporal, gravidez, papéis estereotipados para homens e mulheres, popularidade e identidade estão entre as maiores fontes de angústia e preocupação.
Adolescência tardia (17 aos 20 anos)
Este período dura por cerca de três a quatro anos e termina quando os relacionamentos consigo mesmo e com o mundo estão estabelecidos. É também uma fase de fortes sentimentos e emoções. Duas importantes tarefas durante este período são: transformar-se, de uma pessoa dependente, em uma pessoa independente e estabelecer uma identidade.  Ambas as tarefas são assumidas durante a adolescência, mas estendem-se até a idade adulta e devem ser lapidadas ao largo de toda a vida. A pressão interna e a exercida pela sociedade nessa fase marcarão para sempre a vida desse ser humano.
Ao contrário do que se acredita, a adolescência não chega do dia para a noite, ela vem depois do que chamamos de período de latência. Um período de calmaria que pode ser facilmente visto aos nove ou dez anos de idade. Os pais costumam se assustar coma chegada da adolescência porque a latência é silenciosa, dessa forma, eles acreditam estar convivendo ainda com a criança de seis ou sete anos, mas não. A latência silenciosa é o preparo do organismo como um todo para o “big bang” que está por vir, e dele então, nascer um adulto. É preciso que a fase de latência seja vivida e aí vai uma grande dica para os pais de meninas:  não apressem a chegada da adolescência, é preciso que sejamos meninas desengonçadas e barrigudinhas antes de nos tornarmos mulheres, sim eu sei que é difícil, mas apressar pode embatumar o bolo.
Continuo na próxima semana!

sábado, 1 de novembro de 2014


ATENHA-SE À SUA INSIGNIFICÃNCIA


Eu estava dentro do taxi em São Paulo e ao passar sob o viaduto Santa Ifigênia o taxista me falou:
-Ontem o trânsito ficou parado por duas horas. Um morador de rua se atirou do viaduto.
Na hora cantei mentalmente: “morreu na contramão atrapalhando o tráfego”.
Sou apaixonada pelo Chico Buarque (apesar de) e Chico tem música para tudo – agora mesmo me veio outra “apesar de você...”. Meu texto de hoje fala desses dois versos e do quanto insignificantes somos na existência do universo.  Cada um de nós, moradores de rua ou presidentes da república, somos apenas mais um na multidão e a nossa vida, a nossa existência não é tão importante assim. Ao morrermos, seja pulando do viaduto ou numa queda de avião em Santos, a diferença para o todo é pífia.
Por que falo disso? Por que falo assim? Porque tomar consciência disso pode nos fazer mais felizes.
Grande parte do sofrimento emocional do ser humano está ligada ao egocentrismo. Ser egocêntrico significa achar ou pensar que o mundo gira em torno de si. Esse comportamento faz parte do desenvolvimento infantil e, a regra é que desapareça por volta dos cinco anos de idade; porém, alguns adultos ainda acreditam ser o centro do mundo. A sensação que dá é que estão ainda fixados na fase egocêntrica.
Pessoas egocêntricas sofrem muito sem perceber, veja alguns exemplos:
-Se preocupam demais com a opinião dos outros, pois acreditam que todos estão se importando, falando e observando suas vidas – como se a função dos outros fosse ser plateia. As redes sociais têm sido ferramenta para o aumento do egocentrismo. Algumas pessoas passaram a se imaginar realmente famosas, importantes e a dependência da avaliação dos outros passou a ser maior ainda.
-São intolerantes, não aceitam opinião divergente. Não sabem conviver com as diferenças e são muito agressivas quando frustradas. Se repararem bem, são como crianças que, ao receberem um não, se atiram no chão e se batem. Não entendem que o outro pode pensar e agir da forma que escolher e quiser.
-Não conseguem criar novos conceitos, e nem mudar de opinião. Pessoas egocêntricas são sinestésicas. Elas decidem se vão gostar ou não de algo ou de alguém baseadas na avaliação do quanto o outro lhe é similar no agir, pensar e ser. Seria como eu deixar de gostar do Chico Buarque só porque ele fez campanha política para a candidata à presidência de um partido que não me agrada. Gente egocêntrica é assim, se o serial killer entra para a igreja dele, ele passa a gostar sem crivo algum de avaliação. Sabem por quê? Na fase egocêntrica, a criança não possui capacidade de abstração nem de avaliar o indivíduo de outra forma que não seja a utilidade dele no seu mundo. Alguns adultos ainda são assim, se me é útil ou se concorda comigo, eu gosto, do contrário, não.
Por trás de todos esses comportamentos, acredite, o ser humano egocêntrico sofre.
A vida, o mundo e as pessoas existem e isso não depende da nossa existência – ninguém está no mundo para nos agradar e nem tampouco ser agradado, mas as pessoas egocêntricas – pasmem – não sabem disso.
Desperdício de água, intolerância política e xenofobia estão ligados ao comportamento de seres humanos que estão ainda na fase do egocentrismo; preocupar-se demais com o que o outro pensa de você também; enxergar o outro como menos importante ou como plateia da sua insignificante vida, mais ainda! A liberdade, o respeito e a percepção de que somos apenas mais um nessa grande engrenagem pode nos fazer mais felizes e mais úteis na sociedade. Deixemos de sofrer como as crianças birrentas que se negam a aceitar a realidade. Proponho um grande exercício: observe uma foto antiga, tipo aquelas do século passado com um grupo grande de pessoas em frente á estação de trem. Observe cada uma, imagine seus anseios, suas dores, seus amores – nada disso existe mais, se foram – e quando penso no que deixaram de viver ou de fazer por se imaginarem tão importantes assim, me dói, e lá vem outra música do Chico: “preciso não dormir até se consumar o tempo da gente...”.
Um dia todos nós estaremos estampados nas fotos, então, olhe para dentro de si, acorde e vá ser feliz!