sábado, 26 de julho de 2014

FORA DE ÁREA
Seu aparelho celular está atrapalhando a sua vida?

A melhor definição da relação que as pessoas têm mantido com seus aparelhos celulares veio de uma grande amiga minha:
-Meu celular é uma extensão do meu braço, Vivi!
É, e ela tem razão. Eu havia me desafiado ficar por vinte e quatro horas sem o meu antes de me achar digna de escrever sobre o assunto, mas confesso que falhei – e pior – arrumei desculpas para mim mesma para justificar minha falha, coisas do tipo: “minha família pode ligar, eu preciso abrir aquele e-mail”, etc. Tudo balela.
Eu sou do tempo do telefone com fio numa mesinha na sala de casa, foi assim que me comuniquei com meus amigos na adolescência e era como eu me comunicava com meu namorado (hoje meu marido) no início dos anos noventa. Hoje vivo me perguntando se não éramos mais felizes ou mais saudáveis na forma de nos comunicarmos e nos relacionarmos. Uma coisa é certa, éramos mais serenos. Acima de toda a problemática envolvida no uso dos smartphones, talvez a mais grave seja a perda da serenidade. Estamos vivendo em um universo paralelo, fabricado, irreal e ele se misturou com o que sobrou de realidade. Quando falo em realidade, me refiro ao que nossos cinco sentidos captam, e nesse ponto perdemos muito a cada dia; perdemos sabores, aromas, sons, percepções e sensações.
Não vou levantar bandeira contra a tecnologia, até porque o mundo virtual me trouxe muita gente de volta e me mantém “perto” de muita gente querida. Quero apenas propor o pensar, o equilíbrio e o alerta sobre a dependência desse tipo de equipamento. A reclamação mais comum nos dias de hoje é que as pessoas não interagem por estarem o tempo todo no celular.
Três sinais que indicam dependência:
Falta de controle 
O indivíduo tem a sensação de que não tem escolha, que é compelido a fazer aquilo. No caso do celular, não consegue deixar de checar o aparelho a todo instante, às vezes até durante a noite, atrapalhando o sono.
Prejuízos para a vida 
Só existe dependência quando o comportamento traz prejuízos ou problemas importantes, como colocar emprego, relacionamento, convívio social e familiar ou vida acadêmica em risco. A pessoa negligencia tarefas e perde qualidade de vida.
Universo restrito 
A dependência leva a um comportamento empobrecedor e limitante. O universo vai ficando cada vez mais restrito. Isto é, nada mais interessa além daquele comportamento ou do objeto de sua dependência.
Se o uso do celular está atrapalhando outros aspectos da sua vida, fique alerta.
Quantas vezes por dia você checa o seu celular?
Em todos os lugares, é possível ver pessoas que não largam o aparelho para nada, nem para comer ou assistir a um filme no cinema. Há poucos anos, a primeira coisa que se costumava fazer pela manhã era escovar os dentes ou lavar o rosto. Agora, o mais comum é verificar as notificações antes mesmo de sair da cama. Uma pesquisa, realizada no ano passado revelou que, em média, as pessoas checam o aparelho mais de cem vezes por dia. Esse hábito de não desgrudar do celular pode ser considerado uma forma de dependência. Entretanto, o problema ainda não é classificado como uma doença catalogada entre os transtornos mentais, mas nem por isso deixa de trazer consequências para os usuários mais inveterados como a perda da concentração e a incapacidade de estar atentos. Pessoas ansiosas devem tomar mais cuidado, pois são mais propensas a se tornarem dependentes. Para saber se o uso do celular está indo além do limite, é preciso analisar se o comportamento interfere nas atividades cotidianas e traz prejuízos para a vida do indivíduo.
Ainda não se sabe quais serão os efeitos dessa dependência em médio e longo prazo, porém chama a atenção para a dificuldade que algumas pessoas já apresentam em se aprofundar nos assuntos quando conversam ou ler um livro.
Minha proposta a todos nós e deixarmos o aparelho desligado por vinte e quatro horas para que, nesse tempo, possamos nos perceber, nos avaliar e retomarmos o contato com o mundo e com a vida real. Quem topa? Outra dica legal é “esquecer propositalmente o celular em casa” quando sair, e perceber pode se viver sem ele, ou quem sabe, se surpreender.

sábado, 12 de julho de 2014

INCENTIVANDO A LEITURA INFANTIL

Eu poderia escrever por horas listando os benefícios da leitura para o ser humano. Em algum nível todos nós sabemos da importância de ler. Eu ando meio assustada com a forma com que crianças e adolescentes tem escrito nas redes sociais e levado essa forma de comunicação escrita para a vida. Sou contra o incorreto da língua portuguesa, porém talvez esse nem seja o maior benefício que a leitura nos dá. Além de ensinar a escrever corretamente e melhorar o vocabulário, a leitura estimula raciocínio, criatividade, memória, curiosidade, dentre tantos outros constructos e por isso, é importante ler e ter contato com obras literárias desde os primeiros meses de vida.
Mas como fazer com que crianças em fase de alfabetização se interessem pelos livros? É verdade que, em meio a brinquedos cada vez mais lúdicos e cheios de recursos tecnológicos, essa não é uma tarefa fácil, porém pequenas ações podem fazer a diferença. 
Para chamar a atenção das crianças pela leitura, há diversas atividades que os pais e outros familiares podem colocar em prática e, assim, fazer do ato de ler um momento divertido. No período da alfabetização, antes dela e um pouco depois também, especialistas sugerem que se misture a leitura com brincadeira, fazendo, por exemplo, representações da história lida, incentivando a criança a criar os próprios livros e pedindo que a criança ilustre uma história.
Seguem algumas dicas de especialistas sobre o que os pais podem (e devem) fazer:
- Transforme as idas a livrarias, bibliotecas e feiras do livro em um programa de fim de semana. Hoje,  muitas livrarias e bibliotecas oferecem atividades aos finais de semana e esse programa ainda é de graça. Algumas livrarias, inclusive, têm espaços para leitura (sem que os livros precisem ser comprados!).
-Muitas crianças ficam frustradas por ler muito devagar em voz alta. Se este é o caso do seu filho, você pode ajudá-lo fazendo exercícios, como cronometrar o tempo que ele leva para ler um texto ou o trecho de um livro em voz alta. A atividade pode ser repetida várias vezes em dias diferentes e, assim, a criança vai poder comprovar o próprio desenvolvimento. Outra dica legal é fazer com que ele faça diferentes vozes para cada personagem – eles adoram!
-Incentive o seu filho a ler todas as noites. E, se ele ainda não for alfabetizado, conte histórias para ele antes de dormir. Por isso, é importante que ele tenha uma fonte de iluminação direta ao lado da cama, como um abajur. Uma ideia bacana é dar um presente para a criança nos fins de semana: permita que ela fique acordada até um pouco mais tarde para ler na antes de dormir.
 -No seu tempo livre, procure fazer atividades com o seu filho que você possa relacionar com um livro. Uma ida ao zoológico, por exemplo, torna-se muito mais interessante depois que a criança leu um livro sobre o reino animal. E vice-versa: uma leitura sobre animais é mais bacana depois que a criança teve a oportunidade de ver de perto os bichinhos. E, assim como essa, há muitas outras maneiras de juntar passeios de fim de semana com a leitura: livro de experiências junto de uma visita ao museu de ciências, livro de história e passeio em local histórico, visita a museu de arte e um livro infantil sobre arte... As possibilidades são inúmeras!
-Não se preocupe se o livro escolhido pelo seu filho parecer infantil demais. Cada criança tem um ritmo diferente. O importante é que o livro esteja sempre presente. A criança costuma dar sinais quando se sente preparada para passar para um próximo nível de leitura, é só ficar atento.
-Proponha para o seu filho que ele faça o próprio livro. As crianças gostam de criar histórias, viver personagens, imaginar paisagens. Primeiro, peça que ele tire fotos (e imprima-as) ou recorte figuras de revistas antigas. Depois, a partir das imagens, peça que ele escreva uma história. Ajude-o a criar uma capa para o livro e, por fim, coloque-o na estante, junto com outros livros. Que criança não adoraria ter um livro de sua autoria na biblioteca de casa?
-Convide amigos e colegas de escola do seu filho para uma espécie de festa da leitura. No início, cada criança lê o trecho de um livro que pode até ser escolhido por eles (mas com orientação dos adultos). Depois de lida a obra, organize um debate sobre a história. Tudo isso pode ser feito durante uma tarde de sábado ou domingo, com direito a guloseimas que as crianças adoram, como cachorro-quente e chocolate quente (no fim de semana, pode!). Na infância, a leitura tem de estar ligada a uma atividade divertida.
-Concluída a leitura de um livro, os pais podem organizar peças de teatro baseadas na obra. Uma boa ideia é convidar outras crianças para participar da atividade. Os adultos podem ajudá-las a elaborar uma espécie de roteiro e pensar nas vestimentas e nos cenários a serem criados. Depois dos ensaios, a peça pode ser apresentada para um grupo de pais ou para toda a família. Também é interessante gravar com o celular ou uma filmadora a encenação da peça, para que depois a criança possa ver o próprio desempenho.

sábado, 5 de julho de 2014

AMOR DE NOVELA

Recebi alguns pedidos para escrever sobre a relação de dois personagens da novela das nove – Laerte e Helena. Eu não assisto às novelas e por isso pensei em não escrever, todavia comecei a acompanhar um pouco da trama e agora me sinto a vontade para contribuir com algo que seja útil. Falar de sentimentos é sempre muito perigoso. O autor usa o bom e velho apelo do amor que não aconteceu, que não morreu e que virou mágoa. Entra novela, sai novela e o assunto é quase sempre o mesmo porque amor mal resolvido dá ibope.
No caso dos personagens, o que em princípio mostra ares de amor, se apresenta agora com a face da obcessão e da paranoia. Em seu livro, Corações Descontrolados, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva apresenta resultados de estudos sobre a instabilidade emocional em relações afetivas ilustrando casos reais e fictícios nos quais a maioria dos protagonistas é diagnosticada com um tipo de Transtorno de Personalidade; vale a pena ler, mas deixando um pouco de lado o diagnóstico, acho difícil que o amor não passe pela “casa” da loucura, isso já foi visto até na mitologia grega (no mito de Eros e Psiquê que também vale a pena ler). Até que amor chegue ao maduro estágio de paz, todos nós passamos sim, pelo medo, pelo ciúme, pela obcessão, pela dor ou por algum tipo loucura, porém, uma “loucura” natural vista em todos nós, os chamados neuróticos normais. É muito complicado diagnosticar o personagem Laerte, pois é cheio de licença poética, e um pouco mal construído, sob a ótica da psiquiatria, mas eu acredito que ele tenha incomodado exatamente porque muita gente deve ter se identificado com seu lado “louco”, manifestado pelo ciúme e pela paranoia. Quando sua amada não age como ele espera, ou quando ela “sai de seu controle” ele reage de forma descontrolada e agressiva. A palavra é essa: CONTROLE. Não existe controle algum que possa ser exercido à vida do outro; quando essa necessidade exagerada aparece, não sobra espaço para o amor. As pessoas não estão no mundo para serem ou agirem de acordo com a nossa vontade. Amar é um sentimento que implica em liberdade e nunca caminha junto da insegurança; a insegurança vem da falta de amor próprio. Já escrevi diversas vezes que amar a si é pré-requisito para que se possa amar o outro.
O que Laerte parece procurar é combustível para seu ego, é autoafirmação. O personagem, da forma como se apresenta enquanto indivíduo, ainda é incapaz de amar. No amor emocionalmente sadio não cabem reações agressivas, amar é um aprendizado, e é exatamente quando as reações de raiva desaparecem que ele pode aparecer. Infelizmente, muitas vezes, quando isso acontece, a relação já se deteriorou e se rompeu, afinal, nem todos têm grandeza suficiente para perdoar. Amar é treino, um treino que passa, necessariamente pelo trajeto do autoconhecimento. Para o amor, é preciso tempo, o que acontece a primeira vista, é paixão.
Enquanto Helena guarda os objetos que ficaram após o fim trágico daquela relação, ela mantém vivos os símbolos do rancor. Não é fácil se livrar das marcas de dor que as pessoas nos causam; é muito comum indivíduos guardarem lembranças de relacionamentos desfeitos com as mais variadas desculpas, quando na verdade, estão guardando mágoa, culpa e raiva. Não me parece saudável guardar lembranças ruins, nem na memória, nem na gaveta. Guarde apenas o que for bom, o que não for, deixe ir. Amar é libertar-se. Se Laerte seduziu a filha de Helena apenas para atingi-la e alimentar seu ego tão carente, Helena está tendo uma ótima oportunidade de livrar-se do passado, jogando fora qualquer lembrança que lhe leve de volta para um tempo que já foi. Outra coisa importante é lembrar que muitos sentimentos como esse, ficam vivos, alimentados exatamente por nunca terem acontecido, se tornam idealizados exatamente por não fazerem parte da realidade. É muito fácil pensar que poderia ter sido perfeito, porque existem apenas nos sonhos e os nossos sonhos são perfeitos.
Amor que vale a pena é o amor que não dói, é o amor que é possível, que está presente, que é livre, que acalenta e que cresce. Acredito que todos os seres humanos aprendem a amar amando, é um treino como é um treino viver. Todos nós carregamos histórias não tão bonitas, que terminaram mal e que por isso, devem ser superadas e esquecidas. Acho triste viver preso ao passado, acho triste guardar vestidos, papéis de bombons ou cartões que, aos serem pegos, causem dor. Acho triste confundir amor com obcessão, apesar de isso ser tão comum. Se você chora ou sofre ao ouvir uma canção, ao sentir um perfume ou ao olhar para uma foto antiga, aí vai um conselho, pode até ter sido amor, mas só guarde a lembrança se lhe fizer bem, do contrário, jogue fora. Outra dica – amor não morre.