ADOLESCENTE – MANUAL DO USUÁRIO – PARTE II
Terminei na semana passada dizendo que continuaria falando sobre adolescência, dizendo que não devemos abrir o forno antes da hora. Nosso assunto de hoje continua sendo a adolescência e a hora certa de abrir o tal forno.
Por que nos apressamos tanto? Por que abrimos o forno antes da hora? Por que o deixamos queimar? Se por um lado estamos mantendo nossos filhos de trinta anos debaixo das nossas asas, o que tenho visto em escala cada vez maior são crianças agindo como adolescentes e por isso, preciso alertar: o risco emocional ao se pular ou apressar fases do desenvolvimento humano é avassalador!
Dia desses uma amiga me perguntou, bastante preocupada e sofrendo muito:
-Vivi, existe algum risco ou malefício em deixar a minha filha de oito anos usar esmalte? Respondi a ela e respondo a vocês:
-Não! O Problema não está no esmalte. Meninas reproduzem o comportamento das suas mães na busca pela identidade sexual. Usam seus sapatos, seus colares, querem pintar as unhas e usar batom! Enquanto esse comportamento estiver ligado á identificação, tudo bem; faz parte do desenvolvimento esse “experienciar” de papéis. O importante é que junto dos esmaltes, da maquiagem e das bijouterias (que devem ser específicas para crianças) estejam os brinquedos e as roupas adequadas às meninas dessa idade.
Existe uma diferença muito clara em permitir que sua filha use batom da de permitir que ela imite uma adulta vinte e quatro horas por dia, que faça escolhas sem supervisão alguma, que não tenha rotina diária, que vá a eventos direcionados a adultos, que ouça conversas de adultos e que, aos sete anos diga que acha Barbie coisa de criança pequena. Até os dez anos o natural é que se interesse por brinquedos e não que seja motivo de chacota por isso! Confesso que sou grata por ser mãe de menino nessas horas, neles, a transição entre os brinquedos e os jogos eletrônicos parece correr em maior calmaria, os esportes os acompanham por um longo período (eterno para alguns) e a forma com que se vestem os homens desde muito pequenos é de me dar inveja, simples, prático e confortável.
Não acho natural, nem tampouco saudável que meninas de nove ou dez anos deixem de brincar, que entendam profundamente de moda, de relacionamento afetivo, e nem que frequentem apenas ambientes povoados por mulheres adultas. Você pode sim levar sua filha com você ao salão de beleza, mas fique atenta sobre as razões pelas quais está fazendo isso – seria um momento de vínculo entre vocês ou apenas está facilitando sua vida?
Para que nossos filhos possam entrar e sair da adolescência de forma saudável é preciso que tomemos alguns cuidados e, o principal deles é não apressar o processo. Cada indivíduo tem seu tempo e, se aos quinze já se tiver “vivido tudo” o que se fará até os vinte? Fiquem atentos pais, e aqui vão alguns toques importantes para serem mantidos até a chegada da adolescência:
-Crianças e adolescentes PRECISAM de rotina, é imprescindível que o ambiente propicie isso para que a mente deles possa se desenvolver. É preciso ter horário para acordar, para dormir, para tomar banho, para se alimentar e é preciso que algum adulto supervisione as suas atividades. Aos seis anos a supervisão é intensa e vai ficando mais leve ao longo do tempo, mas não deve desaparecer. Nenhum pai deve confiar totalmente no seu filho até a idade adulta, isso é muito importante. Finais de semana existem para se quebrar a rotina, mas se ela não existe, fica difícil!
-Não permita que seus filhos façam todas as suas escolhas sozinhos. Participem, demonstrem interesse. Não concordem sempre, questionem e, se for preciso, imponham sua vontade algumas vezes para que o comando não seja unilateral. Permita que ele durma na casa de um amigo, mas diga que no dia seguinte ele acompanhará você (ou vocês) em uma pizza, por exemplo.
-Procurem, com o início da idade escolar (ensino fundamental) oferecer atividades extracurriculares. É muito importante que, na entrada da adolescência, seu filho já tenha escolhido algo que goste de fazer – esta atividade está ligada aos esportes ou à arte, tanto faz, mas ele tem que gostar de algo, e, para descobrir que gosta, precisa ser apresentado – isso é função dos pais. A atividade, o hobby, esse interesse por algo que lhe dá prazer vai ajudar muito - na verdade, vai ser imprescindível quando as frustrações da adolescência chegarem – e pode garantir uma distância segura dos alucinógenos – porque esses são apresentados como artifícios de esquecer as dores, os medos e as frustrações tão comuns nessa fase da vida. Aos dezesseis anos, eu tocava piano toda vez que me sentia triste, então lhes pergunto: O que poderia ter sido se meus pais não tivessem me apresentado à música?
Meninos e meninas caminham, cada um em seu tempo, em sua velocidade, para a idade adulta e para chegar, passam pela turbulenta fase da adolescência. Mesmo seguindo todas as dicas, não é fácil. Somos pais apressados e ansiosos numa sociedade turbulenta, porém, até a idade adulta, a responsabilidade é nossa.

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