sábado, 30 de agosto de 2014

SÍNDROME DO NINHO VAZIO
A chamada síndrome do ninho vazio é uma condição caracterizada pelo surgimento de um quadro depressivo por parte dos pais (afetando geralmente a mãe) após a saída dos filhos de casa, a partir do momento em que eles se tornam independentes, partindo para outra moradia.
É natural em algum momento da vida os filhos saírem de casa, seja porque vão se casar, ou porque vão cursar a universidade em outra cidade ou país, etc. Isso deveria ser comemorado pela família, mas nem sempre isso acontece. Muitas vezes isso se torna um pesadelo. Por não conseguir lidar com a nova situação, o sentimento de saudade acaba ganhando proporções prejudiciais à vida de quem fica.  A falta do filho pode virar depressão, crises de ansiedade, angústia ou o surgimento de problemas psicossomáticos que antes não existiam. A emoção pode ser transformada em dor, muitas vezes, dor física.
É uma fase complicada principalmente para as mulheres que passaram toda a sua vida dedicando-se exclusivamente aos filhos, quando eles vão embora, elas perdem o chão, sentem um vazio, uma perda de si mesma. Muitas relatam sensação de inutilidade, de não terem feito nada da própria vida.
O primeiro passo é reconhecer a situação. O segundo é aceitá-la.
Eis algumas dicas importantes:
Crie uma nova perspectiva da situação. Você deve pensar naqueles aspectos que contribuem para o seu bem-estar. Muitas vezes o relacionamento com os filhos melhora quando eles já não estão em casa.
Dê força para o seu companheiro. Quando temos filhos, muitas vezes nosso companheiro fica de lado. Este é o momento de olhar para o seu companheiro, para sua relação e de realizar aquelas atividades que você tinha adiado. Esta é uma nova etapa da vida que você deve desfrutar totalmente.
Fale do assunto. Exteriorizar os seus sentimentos é o primeiro passo para melhorar. Às vezes, compartilhá-los com nossos entes queridos nos permite perceber que podemos superar esta situação.
Atividades prazerosas. Ao longo da vida as pessoas sempre sentem o desejo de realizar determinadas atividades que lhes dão prazer, mas as exigências diárias, às vezes, fazem com que estas terminem sendo adiadas. Faça uma lista de todas aquelas atividades que você gosta e se prepare para começar a fazê-las.
Pratique um esporte. O exercício físico é muito bom para a saúde e ajuda a relaxar. Saia para caminhar todos os dias por, pelo menos 30 minutos, e você notará como em pouco tempo se sentirá cada vez melhor.
Cuidado pessoal. Não se abandone, nem se deixe abandonar. Você deve buscar um cuidado pessoal adequado, hoje você tem tempo para isso. Volte a adotar o papel de mulher, além do de mãe.
Estimule a independência. É importante que seus filhos saibam que podem contar com o seu apoio nesta nova fase. Evite invadir a sua nova casa ou a sua vida com visitas ou telefonemas contínuos. Você deve deixá-los crescer, acompanhá-los e desfrutar com eles desta nova etapa da vida.
Conversar com outros pais que já passaram pela mesma situação pode ajudar. É um peso muito grande e injusto colocar no seu filho a responsabilidade pela sua felicidade. O importante é tirar o foco da ausência. Procure se lembrar de como você era e de como eram as coisas antes, faça o resgate de si mesma, afinal de contas, a única pessoa que caminha conosco a vida toda somos nós mesmos!
Se nada disso adiantar e a dor não passar, procure um tratamento psicológico; Fazer terapia pelo menos uma vez por semana e talvez até tomar algum medicamento com acompanhamento médico, para alívio dos sintomas é uma boa escolha.

sábado, 16 de agosto de 2014

DEPOIS DOS QUARENTA
(Fabrício Carpinejar, poeta, cronista e jornalista)
Depois dos 40 anos, o pensamento feminino muda, desembaraça.
O sexo não é mais performance, exaustão, é fazer o que se gosta e do jeito que gosta. É aproveitar dez minutos com a intensidade de uma noite inteira, é reconhecer o rosto do próprio desejo no primeiro suspiro, é optar pela submissão por puro prazer, sem entrar na neurose da disputa ou do controle.
A mulher de 40 não diminui o ritmo da intimidade. Pode ler um livro com a intensidade de uma transa. Pode assistir um filme com a intensidade de uma transa. Pode conversar com a intensidade de uma transa. Ela não tem um momento para a sensualidade, a sensualidade é todo momento.
Tomar o café da manhã não é apenas um desjejum, tem a sua identidade, o seu ritual, um refinamento da história de seus sabores. Tomar o café da manhã com uma mulher de 40 anos é participar de sua memória, de suas escolhas.
Ela não precisa mais provar nada. Já sofreu separações, e tem consciência de que suporta o sofrimento. Já superou dissidências familiares, e tem consciência de que a oposição é provisória. Já recebeu fora, deu fora, entende que o amor é pontualidade e que não deve decidir pelo outro ou amar pelos dois.
A mulher de 40 anos, cansada das aparências, cometerá excessos perfeitos. É mais louca do que a loucura porque não se recrimina de véspera. É ainda mais sábia do que a sabedoria porque não guarda culpa para o dia seguinte.
A beleza se torna também um estado de espírito, um brilho nos olhos, o temperamento. A beleza é resultado da elegância das ideias, não somente do corpo e dos traços físicos.
Encontrou a suavidade dentro da serenidade. A suavidade que é segurança apaixonada, confiança curiosa.
O riso não é mais bobo, mas atento e misterioso, demonstrando a glória de estar inteira para acolher a alegria improvisada, longe da idealização, dentro das possibilidades.
Não existe roteiro a ser cumprido, mapa de intenções e requisitos.
Há a leveza de não explicar mais a vida. A leveza de perguntar para se descobrir diferente, em vez de questionar para confirmar expectativas.
Ser tia ou mãe, ser solteira ou casada não cria angústia. Os papéis sociais foram queimados com os rascunhos.
A mulher de 40 é a felicidade de não ter sido. É a felicidade daquilo que deixou para trás, daquilo que negou, daquilo que viu que era dispensável, daquilo que percebeu que não trazia esperança.
Seu charme vai decorrer mais da sensibilidade do que de suas roupas. O que ilumina sua pele é o amor a si, sua educação, sua expressividade ao falar.
A beleza está acrescida de caráter. Do destemor que enfrenta os problemas, da facilidade que sai da crise.
A beleza é vaidosa da linguagem, do bom humor. A beleza é vaidosa da inteligência, da gentileza.
Depois dos 40 anos não há depois, é tudo agora.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

FAXINA

“É preciso se livrar do que é velho para que o novo possa vir.”

Acredito que todos já tenham tido a experiência de limpar um armário, uma gaveta ou, no caso das mulheres, a própria bolsa.
A sensação de conseguir se livrar do que não se usa mais, do que se guarda sem necessidade ou do que se carrega em vão é muito prazerosa e precisa ser vivenciada. Apegar-se demais às coisas, guardar roupas, sapatos ou qualquer tipo de objeto com a afirmação de que “um dia posso querer, ou precisar” está longe de ser saudável.
Assim como nascemos desprovidos de quase tudo, é preciso que se vá, ao longo da vida, desprendendo-se do que não é necessário. Algumas civilizações orientais pregam o desapego gradual de todos os bens materiais, uma prática que se torna cada vez mais difícil em sociedades como a nossa. Todavia, criar o hábito de fazer uma ou duas “faxinas” anuais na casa pode ser útil para sua saúde mental, pois, quando se abre espaço nos armários, nas gavetas e nas bolsas, pode-se experimentar viver com leveza, libertação e abre-se caminho para que novas coisas entrem. Funciona assim também com a nossa mente. Manter guardada na memória o que não nos serve mais, impede que possamos armazenar novas informações, novas experiências e novas lembranças.
Concluindo, é preciso abrir mão do que é velho, para que o novo possa entrar. Uma casa ou uma mente limpa, leve e organizada pode trazer inúmeros benefícios. Se você tem dificuldade de se desapegar das coisas, fique alerta, pois esse é um sinal de dificuldade também de se libertar das lembranças desnecessárias, de modo que, ao começar a se livrar das coisas, você estará também limpando a sua mente.
Podemos exercitar o desapego se propondo a adquirir alguns hábitos e fazer algumas reflexões:
-Duas vezes ao ano, pelo menos, separe as roupas e os sapatos que realmente usa das que você não usa mais. Se você não usou algo na estação passada, provavelmente não usará nesta, então retire, doe a quem precisa e limpe tudo para que a energia flua pelas roupas e sapatos que ficam. Deixe o ar entrar, abra janelas, ventile os ambientes.
-Toda vez que sentir necessidade de comprar algo, questione-se antes se é realmente preciso e se for, proponha-se a retirar algo velho do armário para que a nova aquisição possa entrar. Comprou uma camiseta nova, retire uma velha e doe. Faça assim com tudo, assim você evita o acúmulo.
-Já tive pacientes que chegavam ao cúmulo de comprar tanta coisa que, após um tempo, se esqueciam delas perdidas em gavetas ou armários, encontrando-as meses depois, sem nem sequer terem sido usadas. Essa é uma atitude perdulária e nada saudável, além do mais, é dinheiro jogado fora.
-Você não precisa de cinquenta pares de sapatos, nem de vinte e cinco batons, nem de trinta bolsas – mesmo que você possa comprar tudo isso, é interessante que pratique viver com menos – primeiro porque amanhã você pode precisar, e segundo porque é mais saudável e mais feliz quem vive e consegue se contentar com pouco.
-Certamente você já sentiu vontade de comprar algo novo para se sentir mais feliz, para se livrar de uma frustração, etc. Essa prática é comum, mas muito perigosa, pois pode desencadear um quadro compulsivo. Já vi pessoas tão viciadas em comprar que não tinham mais nem onde colocar as coisas e que, já com um padrão de comportamento compulsivo, partiram para comprar inúteis; Vocês acham saudável ter mais de noventa tuppewares (aquelas vasilhas)?
Acreditem, podemos viver com menos da metade do que temos guardados em nossas casas. Proponha-se a uma “faxina”. Livre-se do que não usa mais, limpe os armários da casa toda, as gavetas, as bolsas. Deixe o ar limpo e novo entrar, carregue menos peso, liberte-se da escravidão imposta pela moda, pelo capitalismo. Abra mão do seu passado, preso e mofando dentro da sua casa e da sua mente. Um dia nosso corpo físico vai caber dentro de uma caixa e todas as nossas coisas tomarão um rumo incerto. Mantenha e carregue apenas o necessário – na casa, na bolsa e na alma.