sábado, 28 de junho de 2014

SEROTONINA – VERDADES E MITOS

A serotonina é um neurotransmissor produzido no tronco encefálico e desempenha papel em muitas partes do organismo. Embora, todas as suas áreas de atuação ainda estejam sendo descobertas, estudos já apontam alguns lugares onde esse neurotransmissor age.
Humor
Em primeiro lugar ela é um dos responsáveis pelo humor. Estando com transmissão inadequada, é natural que o indivíduo se sinta irritado, mal-humorado, ansioso, impaciente, propenso a chorar etc. Melhorando a qualidade da transmissão, logo existe o alívio deste quadro.
TPM
Existe a hipótese de que os sintomas da TPM também estejam ligados à baixa transmissão de serotonina em nosso cérebro. Além dos sintomas clássicos de irritação, existe, ainda, uma relação da serotonina com as cólicas. É ela a responsável por contrações uterinas, ou seja, espasmos, que podem causar as indesejáveis cólicas e dores da TPM.
Regulação do sono
A serotonina é responsável pelo estado de vigília de nosso cérebro, ou seja, ela que nos deixa em alerta. Para que uma pessoa tenha um sono adequado, ela age de duas formas diferentes. A princípio, regula a primeira fase do sono, chamada de NREM. No entanto, para que a fase mais profunda aconteça - o sono REM -, esse neurotransmissor deve estar inibido.
Depressão e outros transtornos de humor
Ao contrário do que muitas pessoas pensam a depressão não significa, exatamente, a falta de serotonina em nosso organismo. A crença talvez tenha vindo da efetividade da ação de antidepressivos que aumentam a disponibilidade do neurotransmissor no cérebro Na verdade, o que acontece em casos de depressão, ansiedade e outros distúrbios afetivos, é que a transmissão de serotonina não está tão efetiva quanto deveria ou está em desequelíbrio.
Alguns antidepressivos atuam inibindo seletivamente a recaptação da serotonina, aumentando dessa forma a quantidade dela nos espaços entre os neurônios, facilitando a neurotransmissão. Isso faz com que a pessoa tenha o seu humor melhorado, diminuindo também a ansiedade e irritabilidade. O remédio não vai fazer produzir serotonina, ele vai fazer com que ela não seja degradada. Ele funciona como inibidor da recaptação.
Saciedade
A relação entre saciedade e serotonina acontece em nosso hipotálamo. Em níveis normais de transmissão, o indivíduo se alimenta normalmente. No entanto, pessoas com transmissão abaixo da média acabam abusando de doces e massas para se sentirem satisfeitas.
Enxaqueca
Hoje, uma das chaves do tratamento da enxaqueca está na serotonina. Os remédios usados para tratar as dores - geralmente antidepressivos - influem nos receptores da serotonina, diminuindo a sua recaptação. Com isso, a disponibilidade do neurotransmissor aumenta e, com ela, a disposição do indivíduo. Mais disposto, as dores aliviam. Isso acontece porque,  a serotonina é importante reguladora das vias sensoriais de nosso corpo, inclusive da via dolorosa. Quando há diminuição da recaptação, os estímulos também caem, o que leva à amenização da dor. 
Atividade sexual
Embora muitos o chamem de "neurotransmissor do prazer", em excesso, a serotonina atrapalha o desempenho sexual, essa relação acontece no hipotálamo. Quando há transmissão intensa, a libido cai, chegando a interferir no orgasmo de ambos os sexos.
Essa relação acontece, por exemplo, quando um indivíduo toma antidepressivos, que melhoram a transmissão da serotonina em nosso cérebro e, logo, diminuem a libido.

sábado, 21 de junho de 2014

AMOR QUE NÃO SE MEDE

Como lidar com a preferência dos filhos pelo genitor do sexo oposto.

É comum e muito natural que todos nós passemos por uma fase de predileção e até de idolatria pelo genitor do sexo oposto. Meninos muito apegados às mães e meninas apaixonadas pelos pais são vistos com mais frequência do que se imagina em todas as culturas. A psicanálise se baseia exatamente nessa relação para explicar toda a vida afetiva dos indivíduos, inclusive os problemas nessa área durante a vida adulta. Muitos pais não sabem como lidar com essas manifestações, que se iniciam na primeira infância (de 0 a 3 anos). No caso de meninas, o amor intenso pelo pai, acompanhado de ciúme e raiva da mãe, enquanto que, nos meninos apego excessivo à mãe e a péssima relação com o pai podem se tornar um problema se não desaparecerem antes da vida adulta.
Seguem alguns pontos para ajudar a lidar com a situação.
-É importante que a criança perceba o papel de cada um. No caso de pais que vivem juntos, ela deve observar e discriminar que existe uma relação afetiva entre ambos e uma relação dos dois com ela. Crianças devem assistir manifestações de afeto entre os adultos como: carinho, mãos dadas, etc. É assim que elas aprenderão como agir – comportamento se aprende observando. Em casos nos quais os pais não são mais um casal, é importante que estes mantenham uma relação social de respeito e diálogo entre si para que a criança não seja levada a tomar partido de um ou de outro, se um deles ou ambos já tiverem novas relações, a criança deve ser informada, deve participar e perceber igualmente manifestações de afeto. Diga sempre que amor de mãe e de pai pelos filhos é diferente de amor de namorado, que são sentimentos distintos e que, quando ela crescer mais, vai entender tudo isso. Não se estenda muito e nem fique dando explicações em demasia, crianças entendem frases curtas e diretas. O comportamento não verbal é muito mais importante, sempre.
-Caso a criança apresente afeto intenso pela mãe e repulsa ao pai, por exemplo, deve-se facilitar a proximidade de ambos. Crie situações para que eles fiquem mais tempo sozinhos e façam atividades juntos. É indicado também que nesse caso o pai se envolva mais na rotina do filho através de atividades como dar banho, fazer a tarefa, levar à escola, etc. Outra dica válida é mostras à criança o prazer de fazer coisas específicas de cada sexo. O pai pode, como sugestão, convidar o filho para cuidarem do carro juntos, ou assistir a um esporte na TV. No caso das meninas, a mãe pode propor uma tarde no salão de beleza ou um passeio numa loja de produtos femininos. Deve-se facilitar a amizade e a cumplicidade que existe entre pessoas do mesmo sexo.
-Crianças manifestam seus sentimentos durante as brincadeiras. Se a menina brinca que ela é a princesa e seu pai é o príncipe, é legal entrar na fantasia e propor que a mãe seja a rainha, o pai o rei, e ela continue sendo a princesa. O papel socioafetivo se desenvolve brincando. A brincadeira é uma forma tão eficaz de intervenção que nós psicólogos a usamos na psicoterapia infantil. Invista nisso, brinque com seus filhos.
-Ignore os comportamentos inadequados de quem quer chamar a atenção. Se a criança separar fisicamente o casal ou começar a gritar durante uma conversa entre eles, diga a ela que não deve agir assim. Crianças que separam as mãos dos pais para entrar no meio deles devem ser acolhidas, porém não sempre. Em algumas vezes, proponha que ela escolha um dos lados. Nunca façam tudo que eles querem.
-Comportamentos agressivos devem ser punidos. Uma boa conversa seguida de alguns minutos de isolamento para reflexão da forma que os pais acharem mais adequado é uma boa opção. Ignore quando a criança interromper ou estiver tentando chamar a atenção, é extremamente difícil, mas ignore. A birra deve ser ignorada.
É importante lembrar que, a psicoterapia ajuda muito e se faz necessária quando a criança e/ou o adolescente estiver sofrendo diante desse ou de qualquer sentimento. Lembre-se que, resolver internamente a relação com os nossos pais e humanizá-los (enxergá-los como serem humanos e não como seres idealizados) é crucial para a felicidade afetiva de cada um de nós. Sim, pessoas que idolatram seus pais e os enxergam como perfeitos não conseguem se relacionar afetivamente de forma saudável, pois passam a vida, buscando, sem perceber, alguém “tão perfeito” quanto seu pai ou sua mãe. Ninguém é perfeito e amar só é possível aos que descobriram isso, sobre si e sobre o outro.

sábado, 14 de junho de 2014

BOM DIA! DORMIU BEM?

Nós brasileiros somos quase líderes no ranking de pessoas que fazem uso de tranquilizantes da família dos benzodiazepínicos, como o clonazepam, por exemplo. O uso indiscriminado e contínuo de medicamentos para induzir o sono tem sido visto em pessoas cada vez mais jovens. O problema está em recorrer ao medicamento sem antes esclarecer as causas da falta de sono e em utilizá-lo sem acompanhamento médico adequado.
As razões que levam um indivíduo a não conseguir dormir podem ser orgânicas, psíquicas ou também ambientais. Dentro dessas possibilidades temos várias subcategorias que vão desde doenças neurológicas até má alimentação, passando por ansiedade, stress, ruídos ambientais ou simplesmente um colchão inadequado.
Antes de ir pelo caminho mais fácil, procure pesquisar a fundo todas as causas da sua falta de sono. Dormir é tão necessário quanto comer ou beber água e lembre-se que uma, ou seguidas noites mal dormidas, podem trazer consequências gravíssimas. A insônia é uma alteração da qualidade e da quantidade do sono que faz com que a pessoa durma menos, prejudicando, assim, as suas atividades diurnas.
Na maioria dos casos, problemas para dormir estão ligados aos quadros de depressão e/ou de ansiedade nas quais a insônia é apenas um sintoma da doença, ou seja, buscar apenas “um remédio para dormir” é paliativo. A grande maioria dos medicamentos utilizados para induzir o sono causa dependência e requer o uso de dosagem cada vez maior, isso sem contar os enormes efeitos colaterais. O mais indicado é sempre começar procurando um médico. Muita gente ainda tem preconceito em relação a consultar um psiquiatra, mas ele é o profissional mais adequado para tratar as causas orgânicas da depressão, da ansiedade e da insônia. A nós psicólogos cabe, no processo de psicoterapia, auxiliar na busca pelas causas emocionais que lhe estejam “tirando o sono”.
Vamos a algumas dicas úteis que os colegas psicoterapeutas costumam dar aos pacientes:
-Tenha um horário regular para dormir, evitando cochilos durante o dia.
- Use a cama só para dormir, não associe cama à excitação, ansiedade ou atividades como falar ao telefone, conversar, comer ou preocupar-se.
-Tome um banho quente antes de dormir, isso ajuda no relaxamento muscular.
-Evite muito liquido antes de dormir para que a vontade de urinar não atrapalhe o sono. Não coma comida de difícil digestão e não tome cafeína. (chás, café, coca cola, energéticos, etc)
-Não faça exercícios antes de dormir. Opte pelo horário da manhã ou fim de tarde.
-Diminua os estímulos ambientais, desligue a TV, reduza a luz, a entrada de sons no quarto e mantenha-o ventilado.
-Ao deitar-se faça um relaxamento progressivo, a respiração diafragmática é uma boa aliada.
-Deixe a tensão e a hipervigilância de lado. Desligue-se da agitação diária definindo para si mesmo este horário como um tempo para não pensar nos problemas. Combine consigo mesmo que só voltará a “trabalhar” no dia seguinte.
-Alegre-se por poder acordar logo de manhã e fazer o que é preciso. Exercite o pensamento positivo.
-Se acordar no meio da noite não “brigue” com o sono, saiba que isso é normal, relaxe e se tiver dificuldade para voltar a dormir levante, tome um copo de leite ou outra coisa leve e quando o sono voltar vá pra a cama.
-Deite-se antes da meia noite, pois para a maioria das pessoas cada hora dormida antes da meia noite equivale a duas depois desse horário.
-O colchão deve estar adequado ao seu peso e o travesseiro deve ser anatômico para que a nuca não fique suspensa no ar.
-Tenha um ritual para dormir, mantenha uma rotina de preparo para o sono, reduza o ritmo dos seus movimentos, e não trate de assuntos sérios antes de dormir.
-A porta do sono se abre com bocejos e espreguiçamento. Provoque bocejos longos e profundos.
-Não se cubra ou vista roupas em excesso, o calor perturba o sono.
-Não adormeça no sofá para depois ter que se levantar e ir para cama.
-Ao acordar levante-se devagar, espreguice, faça alongamentos. Comece o dia com alegria.
-Não espere resultados imediatos, saiba que para todo tratamento demanda tempo e dedicação.
A dica principal sempre será: Trate a causa da insônia. A psicoterapia associada ao acompanhamento médico é uma excelente escolha.

sábado, 7 de junho de 2014

PARA VIVER UM GRANDE AMOR

Audácia minha me apoderar de um título tão nobre de um livro tão nobre, cujo autor é mais nobre ainda, todavia, empresto a frase para completar e dizer que para viver um grande amor é preciso coragem.
É chegado o dia dos namorados, data que mais entristece do que acalenta, as pessoas olham para as propagandas apelativas e então olham para si, para seus relacionamentos, e sofrem - o amor é erradamente muito mais idealizado do que vivido – por pura falta de coragem. Diferente de em outros países, aqui, restringimos o dia dos namorados apenas aos casais, enquanto que, em outras culturas ele é dedicado ao amor, a qualquer amor, a todos eles! A comemoração desta data remonta o Império Romano. Um bispo da Igreja Católica, São Valentim, foi proibido de realizar casamentos pelo imperador romano Claudius II. Porém, o bispo desrespeitou a ordem imperial e continuou com as celebrações de matrimônio de forma secreta. Foi preso pelos soldados e condenado à morte. Enquanto estava na prisão, recebeu vários bilhetes e cartões, de jovens apaixonados, valorizando o amor, a paixão e o casamento. O bispo Valentim foi decapitado em 14 de fevereiro do ano 270 e é nessa data que se comemora o dia do amor na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil a data é comemorada em 12 de junho por preceder o dia de Santo Antônio, considerado o santo casamenteiro. A data foi criada por comerciantes paulistas em 1953.
Vinícius de Moraes, autor da frase que intitula o meu texto, escreve que “para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor.” É dessa dor que quero falar hoje, porque ela é tema chave de qualquer psicoterapia – a dor de amor. Sei que muitas pessoas vão passar por ela no próximo dia doze enquanto que uma minoria vive o clichê do “Dia dos Namorados”, minoria mesmo. Vivenciamos muito mais frustração do que qualquer outro sentimento em datas como essa, só porque não vivemos os romances das novelas.
Sabem por que criaram o termo “amor impossível”? Por medo! E foi por isso que disse logo acima: para viver um grande amor é preciso coragem...e quase ninguém a tem! Não existem amores impossíveis, todos os amores são possíveis, amar é como nascer! E nascer é o seguinte: num dia estávamos nós, confortáveis e quentinhos dentro do útero das nossas mães quando, de repente, nos tiraram de lá, daquela situação tão confortável, e por isso tivemos medo. Medo do desconhecido, da dor, da luz, do novo. Contudo, foi exatamente esse “novo”, essa dor que é o nascimento, que nos levou ao êxtase do que é viver. Se não tivéssemos enfrentado o nosso medo, não saberíamos, não experimentaríamos o existir. Amar é assim, é sair da zona e conforto, passar pelo turbilhão da mudança e então, viver. O medo nos impede, nos barra, nos trava e o sofrimento por não arriscar é muito maior. Muitas mulheres insistem em relações fracassadas, em “amar” pessoas não dispostas a amá-las, em enveredar-se por relacionamentos turbulentos por puro medo. As pessoas têm medo de amar e, paralelo a isso, somos uma espécie em briga constante com nossa autoestima, com nossa autoimagem. Uma pessoa com problemas de autoestima pode se meter em muitas roubadas afetivas. Pouco amor por si mesmo pode criar obstáculos para o processo de amar o outro. O tempo todo estamos projetando a nós mesmos e os nossos desejos no outro, se isso sofrer alguma interferência da sua baixa autoestima, acredite, vamos ter sérios problemas.
Não conseguir se relacionar afetivamente, ter o que chamam de “pouca sorte no amor” ou o famoso “dedo podre” pode ser um sintoma de pouco amor por si mesmo – e essa é a hora de procurar psicoterapia.
O dia doze próximo é um dia como outro qualquer, e nesse ano, deve passar em branco por conta “da pátria de chuteiras”. Então aproveite, deixe que ele se vá e enquanto isso perca o medo de nascer e de amar. Siga o conselho de todos os grandes profetas: ame! Nós estamos aqui apenas para isso”.
“Ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga

ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
não porque não tem asa.”
(Paulo Leminski)