sábado, 31 de maio de 2014

A SOCIEDADE MUDOU, E AS FAMÍLIAS TAMBÉM

“Paz e harmonia: eis a verdadeira riqueza de uma família.” (Benjamin Franklin)

Nas relações sociais está o epicentro da nossa vida emocional. O século XX foi palco de mudanças marcantes na sociedade, principalmente pelo surgimento de novos tipos de família.
Segundo a antropologia, existem três tipos básicos de família: tradicional, nuclear e pós-moderna.
A tradicional é aquela família geralmente numerosa, centrada na autoridade do patriarca, mais comum até a primeira metade do século passado. Eram considerados "familiares" não só os pais e filhos, mas todo o entorno familiar (avós, tios, primos), e as relações eram baseadas nos conceitos morais e autoritários da época.
A família nuclear, ou psicológica, é aquela surgida a partir da metade do século XX, fundamentada basicamente em pai, mãe e poucos filhos. As relações não são mais tão autoritárias, e o conceito de família engloba um núcleo mais caseiro.
A família pós-moderna é a que mais tem crescido atualmente, aquela em que não existem regras básicas de parentesco. Filhos morando com só um dos pais devido ao divórcio, casais sem filhos, uniões homossexuais, casais que se uniram depois de casamentos anteriores e que cuidam dos filhos de ambos, etc. Na verdade, não é um estilo de família, mas justamente a falta de um estilo pré-determinado.
Hoje em dia, podemos identificar esses três tipos básicos de família coexistindo, com suas variações, cada família a seu modo.
Quando a sociedade muda, é chegada a hora de mudarmos também. Não há como se viver de forma adequada se mantivermos conceitos que não fazem mais parte da realidade social. A ideia da família da propaganda de margarina não existe, ou seja, acreditar ou aceitar que só um tipo estereotipado é correto ou adequado é, no mínimo, um comportamento preconceituoso. As pessoas costumam achar que o seu modo de viver é o correto, quando na verdade é apenas a sua escolha, ou seja, é o certo para você, mas pode não ser para o outro. Aceitar diferenças, conviver com as escolhas e com o modo de viver de cada um é o mínimo que se pede a uma sociedade moderna e intelectualizada.
Julgar o diferente modo de viver de uma pessoa ou exercer repulsa sobre o tipo de família que se estabelece na casa do vizinho é coisa de gente pouco informada, e acima de tudo, pouco afetiva. O afeto é nosso grande aliado na busca pela saúde mental e por relações emocionais felizes. O afeto não precisa de um modelo tradicional de família para existir. Amar é possível, e se me permitem a franqueza, muitas vezes o amor é mais fácil de ser visto em núcleos familiares pós-modernos do que em modelos tradicionais e muitas vezes preconceituosos e provincianos de famílias.
Hoje em dia as datas comemorativas e os finais de semana de muitas crianças têm seguido rotinas bem diferentes das minhas, por exemplo, que cresci em um modelo de família tradicional, porém, tão, ou até mais felizes. Cabe a cada um de nós, olhar para toda essa evolução com olhos mais afetivos e de maior aceitação. Se você não consegue – ainda -  aceitar essa diversidade toda, está na hora de procurar ajuda e começar a amar mais (e a julgar menos). Cuidado para não se tornar um “inquisidor” e acabar réu de seu próprio julgamento. Ainda vejo muita gente infeliz, vivendo de fachada, de inverdades e exercendo crueldades, criando assim seu próprio cárcere emocional. Uma criança não é mais ou menos feliz porque tem os pais morando juntos na mesma casa, mas certamente será menos feliz se lhe faltar afeto e atenção – e sofrera se for vítima de preconceito. É nossa obrigação, enquanto parte da sociedade, acima de tudo, não julgar a quem quer que seja. Modelos devem ser criados baseados no amor. Antes de preocupar-se com a forma que o outro escolheu para viver, proponha um questionamento a si mesmo:
-Você é feliz? Você ama e sente-se amado pela sua família?
Se a resposta for negativa, pare de olhar para fora, e olhe para dentro, gaste a sua energia com uma obrigação que temos conosco nesse jogo que é a vida: amar e ser feliz.

sábado, 24 de maio de 2014

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL É O SEGREDO PARA O SUCESSO

O domínio sobre as emoções e a forma como lidamos com elas diante de situações adversas faz toda a diferença na vida pessoal e profissional. Pessoas bem sucedidas, bem relacionadas e felizes são, essencialmente, pessoas que se relacionam bem consigo mesmas, com as suas emoções e as utilizam a seu favor.
Charles Darwin já destacava a importância de se expressar emocionalmente para sobreviver. O conceito de inteligência refere-se à capacidade cognitiva de resolver problemas, já, a inteligência emocional significa a capacidade de identificar as nossas emoções, de compreendê-las através do nosso pensamento e de se relacionar com os outros adequadamente, lembrando que estes também expressam seu comportamento emocional. De nada adianta possuir cognição se não se possui a capacidade de se relacionar – lidar com as emoções, tanto com as nossas, quanto com as do outro é parte obrigatória nesse processo.
Já escreveu um grande poeta “...é impossível ser feliz sozinho.”. O sucesso está sempre ligado ás nossas relações, ou melhor, o sucesso SÃO as nossas relações, sejam no trabalho, na família, com os amigos.
Todos nós enfrentamos momentos nos quais somos tomados por emoções como a raiva, o medo, a dor – poderíamos condensar todas elas em um só conceito, o de angústia. Diante dele, vai se sair melhor quem souber enfrentar. Todos nós somos predispostos a nos tornarmos inteligentes emocionalmente, mas esse talento não se aflora sozinho, é preciso treino. Especialistas falam em dezesseis ou dezessete anos – é como possuir aptidão para a música, mesmo com ela, é a disciplina e os anos de treino e estudo que farão de você um grande artista.
Existem cinco dicas muito divulgadas e difundidas entre os especialistas para desenvolver a inteligência emocional, são sempre voltadas ao comportamento no mundo profissional e corporativo, mas valem para todas as relações. São elas:
-Melhorar a autoconsciência.
Grandes líderes fazem do desenvolvimento pessoal um objetivo para a vida. Eles buscam sem medo ouvir a verdade sobre eles mesmos, assim como o que ainda podem melhorar. Eles buscam organizações e pessoas que os analisem, e ouvem tudo sem medo. Líderes reconhecem e aceitam que podem sempre melhorar. Eles enxergam os imprevistos como oportunidades e passam esse ideal para outras pessoas.
-Desenvolver a habilidade de ouvir.
Quando o assunto é comunicação, o mais difícil é ouvir. Profissionais de sucesso são conscientes da importância de ouvir o outro. Eles reconhecem que todos desejam ser ouvidos. Ao prestar mais atenção no que as pessoas têm a dizer, não só mais informação é absorvida, como fica mais fácil captar mensagens subjetivas por trás das falas. As pessoas costumam pensar no que vão responder antes mesmo de ouvirem até o fim a fala das outras, o que as impede de realmente entenderem a mensagem que está sendo passada. Uma boa técnica é segurar a fala até que o outro conclua sua ideia e depois tentar repetir tudo o que foi dito.
-Demonstrar interesse pelas pessoas.
Um líder de inteligência emocional não só sabe o nome de todos que o cercam, como descobre o máximo possível sobre cada um deles. O que é importante para eles, como são suas famílias, quais são seus interesses  e hobbies. Há casos de lideres que registram informações sobre seus seguidores, ao os ver, lembra-se de perguntar sobre algo em específico.
-Saber gerenciar as emoções dos outros e as suas.
Lidar com emoções é algo crucial. Profissionais que desenvolvem a inteligência emocional aprendem a não responderem imediatamente em diferentes situações. Eles também são capazes de captar sentimentos muitas vezes ocultos pela fala. Trata-se de uma habilidade importante para aprimorar relações baseadas na lealdade. Todos esperam, acima de tudo, serem ouvidos. Na maioria das vezes não há uma solução fácil e rápida para isso. Uma boa dose de inteligência emocional faz com que os nervos sejam acalmados e os sentimentos compreendidos.
-Aprender a ser grato.
Ao responderem a quem e ao que são gratos, os bons líderes rapidamente formarão uma longa lista.  Eles sempre agradecem aos outros pelo que conquistaram. Uma forma de desenvolver gratidão é manter um livro de agradecimentos. Todas as manhãs, antes de qualquer outra atividade, é recomendável que dez itens sejam anotados. A prática ajuda a manter uma atitude positiva e a motivação ao longo do dia. Envolver-se com trabalho voluntário é também é uma boa maneira de estimular a gratidão.

sábado, 17 de maio de 2014

VOCÊ SABE O QUE SEU FILHO TEM FEITO NAS REDES SOCIAIS?

Se vocês se chocaram com o linchamento da mulher no Guarujá após boatos espalhados pela internet, fiquem atentos: a falta de controle e fiscalização do que seus filhos fazem nas redes sociais pode fazer deles a próxima vítima.
Você conhece o mundo virtual? Conhece as redes sociais às quais crianças e jovens utilizam para se comunicar? Espero que sim, e espero que você que é mãe e/ou pai esteja dedicando uma parte do seu tempo para orientar seus filhos sobre o bom uso dessa ferramenta.
Adolescentes mal orientados e mal fiscalizados usam as redes sociais para falar com bandidos, para marcar encontros com pessoas desconhecidas, para comprar e vender drogas, para trocar fotos e vídeos com forte apelo sexual – isso não acontece só nas favelas da baixada santista, acontece nas escolas particulares da nossa cidade.
Se por um lado o mundo virtual faz parte do nosso cotidiano e tem sido muito útil por uma série de motivos, inclusive a facilidade de comunicação; por outro, tem aberto portas às quais muitas vezes levam a caminhos desconhecidos, perigosos e sem volta.
Quando nós adultos filosofamos e desejamos viver de novo a juventude com a experiência que só o tempo e a vida nos trouxeram, é exatamente porque agora, temos discernimento e podemos fazer escolhas com mais sabedoria, certo? Então por que deixamos crianças e adolescentes tão sozinhos e sem norte achando que, aos dez, treze ou quinze anos eles terão maturidade para cuidar de si mesmo? Não, eles não estão prontos para isso! Precisam de orientação, de limites, de exemplos, precisam que contem a eles como as coisas funcionam por aqui!
Vocês sabem o que busca um adolescente quando expõe uma foto sensual de si ou quando se atreve a conversar com um traficando ou contraventor? Busca autoafirmação, busca combustível para sua autoestima – em resumo: BUSCA AFETO! Somos todos tão carentes...
Uma criança de onze anos ou um adolescente de quinze não podem ter acesso irrestrito à internet, principalmente quando se trata de redes sociais e, o fato dos pais adultos ou os outros colegas utilizarem não é desculpa para se omitir. O padrão primário de comportamento de um ser humano deve vir de sua família, pelo menos até chegar à fase adulta.
Eu me lembro durante a minha infância e adolescência de ter pedido algumas coisas aos meus pais, usando os seguintes argumentos: “todo mundo vai”; “todo mundo tem”. Em resposta ouvia a famosa frase “você não é todo mundo!”. Só hoje, pela própria maturidade, eu entendo o quanto havia de afeto na fala deles. O que eles estavam me dizendo era que: não ser todo mundo é ser especial, é ser cuidado, protegido, amado. Além disso, eles não podiam me dar tudo, nem permitir tudo - ninguém pode, nem deve, por mais dinheiro que tenha! A grande maioria dos pais se omite em dizer não, em colocar regras e limites, ou em frustrar seus filhos pelo medo de perder o afeto destes, porém essa liberdade desenfreada é interpretada emocionalmente como falta de amor e de interesse.
Amadurecimento intelectual não quer dizer amadurecimento emocional. Se sua filha envia a alguém uma foto sensual aos catorze anos, ela tem razões para isso, e vocês pais, tem muita responsabilidade sobre essas razões. Se culpar ou se omitir não vai resolver nada, mas mudar resolve sim – na infância e na adolescência tudo pode ser feito e todos podem ser salvos. Basta querer.

“O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência de si mesma.”
(Abraham Maslow)

sábado, 10 de maio de 2014

SER MÃE

Durante uma entrevista com os pais de um adolescente que havia sido encaminhado para diagnóstico e psicoterapia, a mãe me pergunta:
-Você tem filhos?
Sem que eu respondesse ela continuou:
-... porque só quem é mãe entende o que eu estou passando!
Eu recebi o título de psicóloga quinze anos antes de receber o de mãe, todavia, naquele momento eu entendi perfeitamente o que ela quis me dizer, e talvez só tenha entendido em sua plenitude porque tenho um filho.
A maternidade é, acima de tudo, um estado de vulnerabilidade constante. Freud e tantos outros teóricos desenvolveram toda sua linha de pensamento sobre o comportamento humano partindo da relação mãe e filho. Essa talvez seja a relação mais intensa entre dois seres humanos, porém não é feita só de “flores”. Além do amor em sua forma mais terna, um filho nos faz sentir culpa, medo e uma sensação constante de que erramos em algum momento. Mães erram sim, mas erram tentando acertar, por isso, perdoem-se. Em se tratando de seres humano, sem perdão não há relação.
A figura da mãe na vida de uma pessoa representa pontos cruciais na formação do ser humano, é a partir dos conceitos passados por ela que se desenvolverão habilidades na relação social, familiar, psicológico e até mesmo física. A mãe é o primeiro ponto de referência para nossa existência.

“O primeiro espelho da criatura humana é o rosto da mãe: A sua expressão, o seu olhar, a sua voz (...) é como se o bebe pensasse: Olho e sou visto, logo, existo!” (Winnicott).

Em comemoração ao Dia das Mães quero deixar meu aplauso (em pé) a todas as mães:
- Mães solteiras;
- Mães viúvas;
- Mães divorciadas;
- Mães casadas;
- Mães adotivas;
- Mães que trabalham fora e mães que ficam em casa cuidando dos filhos;
- Mães de um, mães de dois, mães de três, mães de quatro...;
- Mães que se cuidam além de cuidar dos filhos e mães que não conseguem se cuidar, mas cujos filhos estão sempre impecáveis;
- Mães que fizeram Parto Normal, mães que fizeram Cesárea e mães que tiveram parto natural (corajosas);
- Mães que amamentaram no peito e mães que não puderam amamentar;
- Mães que são pais, avós, tias, e amigas dos seus filhos;
- Mães que moram fora e longe dos entes queridos;
- Mães cujos filhos estão longe;
- Mães com filhos doentes e mães cujos filhos já se foram;
- Mães que tem mães para ajudá-las e mães que não tem ninguém por perto;

Mães são únicas, cada uma com suas limitações e todas vivem para ser e fazer o melhor possível.
Nenhuma mãe é melhor do que a outra – e ponto final!

sábado, 3 de maio de 2014

LIBERTE-SE DAS EXPECTATIVAS

"Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração." (Martha Medeiros)

Viver cada dia como se fosse único!
Essa frase é bastante comum; muito ensinada, muito divulgada, mas pouco praticada. Já se perguntaram qual foi a última vez na qual se permitiram mergulhar na vida, no desconhecido, sem planejar, esperar, se preocupar ou tentar prevenir o que possa acontecer?
Segundo a filosofia budista, ficar agarrado ao passado ou se preocupar com o futuro e ter medo do que possa acontecer pode arruinar o nosso presente. Vivemos em um mundo no qual é muito difícil permanecer no tempo presente, tudo nos puxa para fora, as mágoas, os erros, as frustrações (do passado), além dos medos, a ansiedade ( do futuro).
Se permanecermos fora do presente, estaremos distantes da felicidade, pois é ali que ela mora. Estar em contato com o momento presente é perceber nosso corpo, utilizar nossos cinco sentidos e entrar em contato com nosso interior. Quando vivemos o presente, um milagre acontece na nossa vida, o de poder vivenciar momentos felizes – o que todos nós buscamos.
Uma boa razão para abandonar as expectativas é entender que, elas distorcem a nossa avaliação da realidade, quem vive fora do presente é incapaz de perceber até um gorila pulando na sua frente. Essa afirmação vem do experimento realizado por dois cientistas americanos, que provaram que, a mente humana quando ordenada a observar um futuro próximo, deixa de enxergar o presente, ainda mais quando é inesperado, ou seja, deixamos passar o que mais queremos – ser surpreendidos. No experimento, pessoas foram convidadas a contar quantos passes jogadores de basquete faziam em apenas um minuto, todos prestaram bastante atenção nos quase 35 passes e, ao serem questionados se haviam percebido algo estranho na cena, mais a metade afirmou que não – isso porque, durante o vídeo, um aluna vestida de gorila pulou por nove segundos no meio dos jogadores!
A verdade é que somos seres muito pouco confiáveis para avaliar uma situação, primeiro porque somos impregnados pelo nosso passado e pelo medo do futuro e segundo porque não contamos com o imprevisível. O problema não está em ter expectativas, mas em acreditar cegamente nelas. Se não somos capazes de enxergar nem mesmo “o gorila que pula em nossa frente”, por que acreditar que podemos avaliar o que pode acontecer no futuro?
Viver é entrar no campo do desconhecido, é deixar-se surpreender. A esperança não pode ser derivada da expectativa, mas sim da aceitação, com alegria, das surpresas do caminho criado por um “outro poder”, que podemos chamar de natureza, ou de Deus! É a esse outro poder que alinhamos o nosso poder próprio e assim devemos nos lançar na vida – sabendo que o leme é nosso, mas não é só nosso.