MÃE, PAI, EU SOU GAY!
“Flores são flores
Vivas num jardim
Pessoas são boas
Já nascem assim
Flores são flores
Colhidas sem dó
Por alguém que ama
E não quer ficar só”
(Cazuza)
Se ouvirem essa frase, e eu lhes digo, agradeçam porque ela é o retrato da confiança e do sucesso na criação do vínculo com um filho. Ao longo da vida, é papel dos pais desenvolver uma relação de afeto, confiança e respeito mútuo com seus filhos, por isso, lhes digo novamente, se ouvirem essa frase, agradeçam. A grande maioria dos filhos que se descobre gay não têm essa coragem e não sentem nos pais um campo seguro e acolhedor a ponto de lhes abrir assim, tão diretamente a sua natureza sexual. Natureza sim, não gosto de chamar de opção, não acredito que alguém escolha a sua opção sexual e vou lhes dizer meus motivos.
Ninguém escolheria fazer parte de uma “minoria” rodeada de preconceito. Ninguém escolheria ser discriminado, nem ser motivo de chacota, de violência. Ninguém escolhe sofrer e não poder amar! Eu sou heterossexual e fico imaginando como seria se eu sentisse o que sinto e que isso, porém, fosse visto pela sociedade como anormal, como pecado, como falta de vergonha na cara, como promiscuidade. Fico pensando em como teria sido a minha adolescência (que já não foi das mais fáceis) se eu me descobrisse apaixonada por uma menina e, ao olhar em volta, percebesse que o que esperam de mim afetiva e sexualmente é outra coisa. Ninguém escolhe quem ama e nem tampouco do que gosta. Acredito que todos que me leem nesse momento já se apaixonaram e sabem do que eu falo. Agora, se coloquem no lugar do outro, e imaginem aquela paixão acontecendo com alguém do mesmo sexo, daquela mesma forma, com aqueles mesmos sintomas – porque é assim que acontece. Quando descobrimos nossa afetividade e nossa sexualidade, ela acontece carregada de paixão, da ideia de amor indestrutível. Ser gay não é ter vontade de transar com alguém do mesmo sexo: É AMAR ALGUÉM DO MESMO SEXO! Desejo sexual todos nós temos, e a maneira como nos comportamos sexualmente independe da escolha de quem seja nosso parceiro. Ser promíscuo não tem absolutamente nada a ver com ser gay. O que vi, ao longo dos anos, dentro e fora da profissão, foram pessoas homossexuais caindo em promiscuidade exatamente por não terem sido aceitas na sociedade única e simplesmente porque se relacionam afetiva e sexualmente com pessoas do mesmo sexo. Promiscuidade existe numa escala muito maior entre heterossexuais e todos nós sabemos disso!
Somos uma sociedade tão preconceituosa que, ao comentar que eu iria escrever sobre esse tema ouvi a seguinte pergunta: “E, mas você não quer que seu filho seja gay né?” Eu disse que daria a resposta por aqui, então digo: eu não quero que me filho sofra, e isso independe de ser gay ou não, mas se essa for a natureza dele eu me preocupo sim, porque quero que ele seja amado e feliz, o que infelizmente nossa sociedade ainda não permite. Não quero que ele seja vítima de preconceito, porém estou pronta para continuar ao lado dele! Cabe aos pais amar incondicionalmente seus filhos, defendê-los e ajudá-los a se defender do mundo. A você que me fez a tal pergunta, penso que talvez se orgulhasse de ter um filho como Elton John ou Adriana Calcanhoto. A verdade é que somos “um bando” de hipócritas né?
O que faz mal à sociedade não é a natureza sexual de cada indivíduo, mas a falta de amor, respeito, compreensão e aceitação da diversidade. Somos todos diferentes e temos todos a mesma obrigação social de viver respeitando para sermos respeitados. Cabe aos pais criar filhos que sejam cidadãos. Quando ouvirem os gritos e os manifestos de um grupo, seja de gays, de negros ou de mulheres, pense que, se houvesse mais acolhimento e menos intolerância, isso não estaria acontecendo.
Aos pais que ouvirem a frase acima, agradeçam, pois possuem filhos que os amam, acolham e façam o melhor. Deem o melhor de si, afinal, se não o fizermos por nossos filhos, por quem faremos? Busquem ajuda profissional para vocês se for preciso, enfrentar preconceitos e falsas verdades que nos foram ensinadas no passado não é fácil para ninguém. Somos uma sociedade em evolução e onde há amor, há saúde, há paz, há felicidade, há respeito.
Quero terminar esclarecendo que a natureza sexual de cada indivíduo é inata, ser homossexual NÃO É e NÃO PODE ser conceituado como doença, transtorno ou desajuste. Ninguém se torna gay, não acredito em nenhum tipo de influência sobre isso, estamos apenas aprendendo a conviver com nosso semelhante, que antes, era obrigado a se esconder. Peço aos pais dispostos a ajudar os filhos na busca por sua felicidade que coloquem o amor acima de qualquer coisa. Eu, como espiritualista assumida, acredito que o amor seja a única religião que se deve praticar.
Aqui estão os textos que escrevo semanalmente para o Caderno Circulando by Denise Ragazzo da Gazeta de Limeira.
sábado, 25 de outubro de 2014
sábado, 18 de outubro de 2014
DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE
“Nunca despreze as pessoas deprimidas.
A depressão é o último estágio da dor humana.”
(Augusto Cury)
O processo de envelhecimento embora difícil para muitos, é algo que acontece naturalmente, trazendo junto consigo algumas mudanças. Todo ser humano em qualquer fase de sua vida pode experimentar sintomas depressivos. Na terceira idade a probabilidade de padecer desta doença é ainda maior.
As causas da depressão nessa e em outras fases da vida podem ser biológicas e psicossociais. O primeiro refere-se à perda neuronal e diminuição de neurotransmissores. Já os fatores psicossociais são os eventos que ocorrem ao longo da vida: aposentadoria, perda de um ente querido, mudanças na rotina. Doenças físicas e efeitos colaterais destas, como uma dor, por exemplo, também podem causar ou piorar o quadro.
As particularidades da depressão na terceira idade são queixas somáticas como, dores crônicas, distúrbios do sono e apetite. Dentre os sintomas psicológicos, o mais frequente é a perda da capacidade de sentir prazer e déficits cognitivos, particularmente de memória. A depressão em idosos é um importante fator para piora da qualidade de vida destes indivíduos, especialmente para os que permanecem não diagnosticados e sem tratamento. A depressão desencadeia ou mesmo agrava as doenças preexistentes.
Os principais sintomas são:
-Embotamento Emocional: As pessoas gravemente deprimidas, frequentemente sentem-se como se tivessem perdido seus sentimentos, não conseguindo nem chorar. Sentem-se às vezes distante e indiferente em relação às pessoas mais próximas.
-Ansiedade: Nas pessoas deprimidas, essa sensação pode durar meses. Algumas pessoas acordam de manhã num estado de grande ansiedade, porque temem o decorrer do dia.
-Pensamento depressivo: A pessoa depressiva enxerga o mundo sempre por um lado negativo. Sente muita culpa por tudo, esquece-se das coisas boas que já fizeram, relembrando e intensificando as coisas más. Estes tipos de pensamentos negativos destroem a pessoa aos poucos, deixando-a mais deprimida ou ansiosa, formando-se um círculo vicioso.
-Falta de concentração e memória: A pessoa sente dificuldade em se concentrar, se consome por preocupações e pensamentos depressivos tornando-se difícil pensar em qualquer outra coisa. Os problemas com a concentração podem levar á indecisão e falta de atenção, deixando a pessoa confusa e desorganizada.
-Delírios e alucinações: A presença de pensamentos distorcidos que se perdem da realidade. Os delírios ou convicção falsa, considerada inabalável pela pessoa que o tem, podem ocorrer na depressão grave, refletindo e reforçando o humor depressivo.
-Ideias suicidas: Muitas pessoas deprimidas pensam no suicídio, mesmo que seja um pensamento passageiro. Quando a pessoa se encontra num estágio profundo de depressão, o passado lhe parece horrível e cheios de erros, o presente terrível e temem o futuro chega à conclusão de que não vela a pena continuar vivendo, que todos ficariam melhores sem ela, e sendo assim, devem tirar suas próprias vidas.
-Sintomas físicos: como problemas de sono, lentidão mental e física, perda de apetite. Algumas pessoas no lugar dos sintomas comuns a depressão desenvolvem sintomas físicos reversos como dormirem demais, ter um apetite maior e ganhar peso.
Tratamento
O tratamento adequado para a depressão é feito por um médico psiquiatra e por um psicoterapeuta comportamental. A Terapia Cognitivo Comportamental da depressão é um processo de tratamento que ajuda os pacientes a modificarem crenças e comportamentos que produzem certos estados de humor. Ela deve, na maioria dos casos, ser associada á medicação para o reequilíbrio das funções dos neurotransmissores. Uma estratégia imprescindível é “ocupar a vida”, todos nós temos que ter uma razão para viver, para se levantar da cama, somos seres sociais, dessa forma, a busca por companhia, por uma vida social ativa é parte importante no processo de cura da depressão. É preciso ter o que chamamos de AVD (atividade da vida diária), nenhum indivíduo fica saudável por muito tempo sem atividade física e mental. Procure novamente o prazer, ele pode estar em qualquer dessas atividades e é possível, sim, ser feliz durante toda a vida.
“Nunca despreze as pessoas deprimidas.
A depressão é o último estágio da dor humana.”
(Augusto Cury)
O processo de envelhecimento embora difícil para muitos, é algo que acontece naturalmente, trazendo junto consigo algumas mudanças. Todo ser humano em qualquer fase de sua vida pode experimentar sintomas depressivos. Na terceira idade a probabilidade de padecer desta doença é ainda maior.
As causas da depressão nessa e em outras fases da vida podem ser biológicas e psicossociais. O primeiro refere-se à perda neuronal e diminuição de neurotransmissores. Já os fatores psicossociais são os eventos que ocorrem ao longo da vida: aposentadoria, perda de um ente querido, mudanças na rotina. Doenças físicas e efeitos colaterais destas, como uma dor, por exemplo, também podem causar ou piorar o quadro.
As particularidades da depressão na terceira idade são queixas somáticas como, dores crônicas, distúrbios do sono e apetite. Dentre os sintomas psicológicos, o mais frequente é a perda da capacidade de sentir prazer e déficits cognitivos, particularmente de memória. A depressão em idosos é um importante fator para piora da qualidade de vida destes indivíduos, especialmente para os que permanecem não diagnosticados e sem tratamento. A depressão desencadeia ou mesmo agrava as doenças preexistentes.
Os principais sintomas são:
-Embotamento Emocional: As pessoas gravemente deprimidas, frequentemente sentem-se como se tivessem perdido seus sentimentos, não conseguindo nem chorar. Sentem-se às vezes distante e indiferente em relação às pessoas mais próximas.
-Ansiedade: Nas pessoas deprimidas, essa sensação pode durar meses. Algumas pessoas acordam de manhã num estado de grande ansiedade, porque temem o decorrer do dia.
-Pensamento depressivo: A pessoa depressiva enxerga o mundo sempre por um lado negativo. Sente muita culpa por tudo, esquece-se das coisas boas que já fizeram, relembrando e intensificando as coisas más. Estes tipos de pensamentos negativos destroem a pessoa aos poucos, deixando-a mais deprimida ou ansiosa, formando-se um círculo vicioso.
-Falta de concentração e memória: A pessoa sente dificuldade em se concentrar, se consome por preocupações e pensamentos depressivos tornando-se difícil pensar em qualquer outra coisa. Os problemas com a concentração podem levar á indecisão e falta de atenção, deixando a pessoa confusa e desorganizada.
-Delírios e alucinações: A presença de pensamentos distorcidos que se perdem da realidade. Os delírios ou convicção falsa, considerada inabalável pela pessoa que o tem, podem ocorrer na depressão grave, refletindo e reforçando o humor depressivo.
-Ideias suicidas: Muitas pessoas deprimidas pensam no suicídio, mesmo que seja um pensamento passageiro. Quando a pessoa se encontra num estágio profundo de depressão, o passado lhe parece horrível e cheios de erros, o presente terrível e temem o futuro chega à conclusão de que não vela a pena continuar vivendo, que todos ficariam melhores sem ela, e sendo assim, devem tirar suas próprias vidas.
-Sintomas físicos: como problemas de sono, lentidão mental e física, perda de apetite. Algumas pessoas no lugar dos sintomas comuns a depressão desenvolvem sintomas físicos reversos como dormirem demais, ter um apetite maior e ganhar peso.
Tratamento
O tratamento adequado para a depressão é feito por um médico psiquiatra e por um psicoterapeuta comportamental. A Terapia Cognitivo Comportamental da depressão é um processo de tratamento que ajuda os pacientes a modificarem crenças e comportamentos que produzem certos estados de humor. Ela deve, na maioria dos casos, ser associada á medicação para o reequilíbrio das funções dos neurotransmissores. Uma estratégia imprescindível é “ocupar a vida”, todos nós temos que ter uma razão para viver, para se levantar da cama, somos seres sociais, dessa forma, a busca por companhia, por uma vida social ativa é parte importante no processo de cura da depressão. É preciso ter o que chamamos de AVD (atividade da vida diária), nenhum indivíduo fica saudável por muito tempo sem atividade física e mental. Procure novamente o prazer, ele pode estar em qualquer dessas atividades e é possível, sim, ser feliz durante toda a vida.
sábado, 11 de outubro de 2014
RELAÇÕES PERIGOSAS
Por que tantas mulheres estão se metendo em relações virtuais? O que buscam? Por que elas se apaixonam a ponto de confiar em um desconhecido sem se dar conta do risco que correm?
Eu estava na plateia da gravação do programa do Dr. Flávio Gicovate. Chega uma pergunta enviada pela internet na qual a ouvinte diz estar deprimida. Ela tinha um “namorado” de outra cidade e a relação acontecia no mundo virtual. Na intimidade ela havia se mostrado nua em sua webcam e agora sofria pois com o fim da relação ele havia fotografado uma das cenas e ameaçava mostrar a foto – inclusive ao filho dela.
O mundo virtual facilita a vida, as relações e é sabido que desde o lançamento da primeira edição da revista Playboy, mulheres nuas fazem sucesso. Na revista elas consentem, estão de acordo e receberam por isso – a meu ver, nada de errado. Nas fotos, nos vídeos e na profissão, mulheres ganham a vida com o próprio corpo, não vou me posicionar contra. Acredito na liberdade de escolha de cada indivíduo. O problema não está nem nas fotos nem nos vídeos, mas sim em mulheres carentes e imaturas buscando príncipes encantados em um ambiente onde cada um pode fingir ser quem quiser. Nessas relações elas não só caem na exposição indevida dos seus corpos, mas também são vítimas de golpes financeiros.
Desde que o mundo é mundo, nós mulheres nos apaixonamos com muita facilidade, procuramos amparo, idealizamos nossos sonhos e a nossa admiração. Buscamos “príncipes” que nos tirarão do borralho e nos falarão palavras bonitas. Somos todas presas fáceis tanto de serial killers ou golpistas estelionatários, quanto de homens que buscam aventuras, muitas vezes extraconjugais, e que, para isso, seduzem, mentem, juram amor. Talvez o que as mulheres busquem seja serem admiradas, desejadas - o que é muito saudável - porém, não se pode confiar tão cegamente assim em alguém que nunca se viu. O amor é um sentimento que implica sim numa certa cegueira, mas nem sempre sexo vem acompanhado de amor. Há alguns anos, assistindo um programa que a apresentadora Astrid Fontenelle gravava no aeroporto de Guarulhos, uma mulher, muito feliz aguardava por seu “namorado virtual” que chegaria da Austrália para busca-la para o “felizes para sempre”. Astrid resolveu aguardar com ela, afinal era esse o tema do programa. Depois de alguns minutos a mulher recebe um telefonema do tal homem, falando inglês, solicitando o depósito de um dinheiro em uma conta, alegando estar preso na polícia federal. A assistente da apresentadora pega o telefone, o sotaque dele era árabe e aos poucos, fomos vendo o castelo se desmoronar, ali, ao vivo, em frente ás câmeras. A tal mulher estava sendo vítima de um golpe. Foi triste de assistir.
Acredito que, as mulheres que têm sofrido com as consequências desse tipo de relação precisam descobrir porque “se apaixonam” assim tão rápido e com tanta facilidade, é preciso trabalhar as razões de tanta carência, tanta falta de amor próprio e de tanto desamparo. Amor nasce com o tempo, devagar, e é oriundo de uma relação real e próxima. Amor é calmo, vem lento e vai crescendo, alicerçado em confiança e cumplicidade. Sou defensora ferrenha do amor, mas desacredito que ele nasça antes que se olhe nos olhos, que se sinta o cheiro e as pernas tremendo pela presença daquela pessoa.
Como concluiu Dr. Flávio em resposta a tal ouvinte, nada pode ser feito em relação a ter entrado numa roubada vinda de uma relação virtual, a não ser esquecer e aprender com a experiência de cabeça erguida, pois nossa sociedade ainda é muito mais machista do que pensamos. Pessoas ainda afirmarão que “a mulher é culpada” e que “se meteu nisso porque quis”. Sim, ainda somos vistas assim por muitas de nós mesmas! Desde a adolescência até a terceira idade, mulheres correm o risco de sofrer alimentando falsas esperanças de que “aquele” é o príncipe que chegará em seu cavalo branco. Esqueçam moças, e se quiserem assistir a dois filmes úteis sobre “príncipes” assistam Shrek e A Bela e a Fera. Naqueles personagens pouco principescos é que mora o amor.
Em proporção menor, claro que existem casos de casamentos muito bem sucedidos que nasceram de relações virtuais, mas a quantidade de mulheres se lamentando e sofrendo nos nossos divãs é muito maior. Acredito no bom uso da internet e das redes sociais, pode-se conhecer muita gente, fazer muitos contatos, mas relações de verdade, só existem no mundo real. O amor? Também.
sábado, 4 de outubro de 2014
EU TIVE DEPRESSÃO PÓS-PARTO
Atendendo aos e-mails que me solicitaram escrever sobre o assunto, estou republicando um texto que escrevi a quase dois anos, o meu depoimento é real e fidedigno.
Meu nome é Viviane, sou psicóloga sou a mãe do Arthur. Meu objetivo com este depoimento é não só alertar, mas desmistificar um assunto rodeado de tabus e falsos conceitos: a Depressão pós-parto. Acredito que todas vocês já tenha lido inúmeros artigos sobre o assunto, teóricos e técnicos, além do mais, hoje em dia é bem fácil conseguir informações sobre isso. Difícil é falar de como, de fato, a depressão pós=parto acomete mulheres de todas as idades.
A pergunta mais sem nexo que ouvi quando estava doente foi:
-“Mas você? Psicóloga, teve depressão pós=parto?” Como se médicos não adoecessem, e cirurgiões dentistas não tivessem dor de dente!
Eu tive depressão pós-parto e é disso que quero falar com vocês. Acredito que contando minha história possa ajudar muitas mulheres e muitas famílias a perceber e conduzir melhor o problema. Quero também lembrar que, todas nós mulheres, podemos passar por este quadro no período pós-parto, e que, ser psicóloga me ajudou a perceber o que eu tinha, mas não me isentou de sentir, e de sofrer. Somos humanos e, cada vez mais temos que entender que esta condição implica sempre em dualidade, seja de sentimentos, seja de pensamentos. Por mais que a maternidade seja um momento repleto de magia, há que se ter consciência de que não é só seu lado poético que existe. Seu corpo muda, a sua vida muda, a sua mente muda.
Eu tive uma gestação tranquila e sem intercorrências físicas, porém, emocionalmente foi um pouco conturbado e intenso. Logo depois do parto, vieram outros problemas de ordem profissional e acredito que tenham também me deixado mais sensível, porém, essencialmente, a queda brusca de hormônios, associada à mudança radical das atividades da vida diária, me levaram a um estado de profundo desânimo e distorção da realidade.
Via minha vida sem perspectiva nenhuma, não tinha forças nem físicas nem mentais para levantar da cama. Cuidar do meu filho se tornou um fardo e eu não me sentia mais segura longe das pessoas. Ao ouvi-lo chorar, queria correr, fugir e parecia que nunca mais eu seria feliz. Junto disso sentia uma culpa enorme por não estar “radiante” com a chegada de um filho que foi muito esperado e planejado e sentia-me impotente diante do choro dele, não sabia o que fazer. Comecei a ter muitos medos, muitas inseguranças e meus sentimentos eram confusos. Não queria visitas e meu cansaço físico era imenso. Depois de quinze dias comecei a perceber meu estado e então pedi ajuda à minha família e à enfermeira que estava vindo para cuidar do meu filho.
Acredito, não só por conta da minha profissão, no poder da mente humana e me propus a sair dessa sem eles. Iniciei o uso de vitaminas e fitoterápicos, sempre deixando claro o que eu sentia: as minhas fraquezas, meus limites. Acredito que esconder é sempre uma péssima decisão.
Procurei não me julgar e entender o que eu estava passando, mesmo que muitos ao meu redor não entendiam. Acredito que a maior dificuldade das mulheres que passam por este estado seja a culpa e a cobrança, tanto do meio quanto de si mesma. Os dias foram passando, as coisas foram se encaixando e hoje estou seguindo minha vida normalmente. É possível enfrentar o problema e passar por ele, desde que se aceite, enfrente e haja com acolhimento e aceitação. Negar nunca resolveu nada, e neste caso vale a regra.
Eis algumas informações que podem ser úteis sobre o assunto:
-Segundo pesquisas A Depressão Pós-parto atinge aproximadamente 15% das mães de todo o mundo, porém acredita-se que este número seja bem maior.
-Não se preocupe com isso durante a gravidez, somente após o parto, caso sinta-se deprimida, procure seu obstetra e conte a sua família seus sentimentos e suas sensações.
-Aos familiares vai uma dica: procurem ficar atentos, entendam, não julguem e principalmente, apoiem.
-Mantenha uma alimentação equilibrada e consuma bastante água. Isso ajuda no funcionamento global do ser organismo e por consequência no reequilíbrio dos hormônios.
-A ingestão de antidepressivos é eficaz e ajuda muito, mas deve ser feita com acompanhamento médico.
-Tenha clareza dos seus limites físicos e emocionais, peça ajuda para quem lhe for mais próximo e confiável.
-Não se culpe. Vvocê não é menos mãe e nem ama menos seu filho por conta do que está sentindo. Seus hormônios estão em desequilíbrio, isso altera a forma como você vê o mundo, as pessoas e as situações. Tudo vai passar, acredite.
-Ter depressão pós-parto não significa que você ame menos seu filho.
-Procure ajuda de um psicólogo, ele vai te ajudar a sair mais rápido do estado depressivo.
Quero finalizar lembrando que todos nós estamos sujeitos a tudo, viver é essencialmente experienciar, tanto o bom quanto o mal. Saiba que a condição humana não deve jamais ser idealizada e quanto mais humana for sua vivência, melhor você irá preparar seu filho para o mundo. Ser feliz faz parte da vida. Ao decidir ser mãe você escolheu ser feliz, apesar dos pesares (sim, porque tudo na vida é “apesar dos pesares”)
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