QUANDO A BUSCA POR UM CORPO PERFEITO ESCONDE O MEDO
DE OLHAR PARA AS ENTRANHAS DE NOSSA MENTE
“Temos mais preguiça no espírito do que no corpo.”
Desde que o homem vive na terra,
há indícios da preocupação com a sua imagem física. Sempre houve algum ganho em apresentar-se
fisicamente adequado. Exibir uma imagem “bonita” causa mais do que admiração
e/ou desejo, em resumo, dizem que a vida é mais fácil para os “bonitos”. Talvez
por isso, ao longo dos anos o conceito de beleza física foi se “aprimorando” e
hoje podemos afirmar que não há mais limites para a busca do belo; entretanto, há
que se lembrar que o que pensamos e sentimos vem da nossa mente, e não do
corpo. Infelizmente, o que temos visto hoje na sociedade são corpos lindos - e
infelizes!
O movimento de buscar sentir-se
bem com a própria imagem é muito saudável e a preocupação com a saúde física e
com o próprio corpo faz parte da vida e é mais uma forma - dentre tantas - de
melhorar a sua autoestima. O problema surge quando a busca por um corpo
perfeito passa a escravizar e, em casos mais graves, deixa de promover saúde e
bem estar para ser mais um foco de doença. Para nós, psicoterapeutas, há sempre
uma preocupação com o que as pessoas tentam esconder de si mesmas quando entram
em qualquer padrão de comportamento compulsivo. A busca compulsiva por um corpo
perfeito pode esconder o medo ou a tentativa de mascarar uma dor, uma perda ou
mesmo um conceito muito ruim de si mesmo.
A melhor forma de avaliar se o
culto ao corpo tornou-se patológica é observar, em primeiro lugar, o nível de
importância que isso tem na sua vida e também o quanto de
energia/tempo/dinheiro você investe nisso. Já diz um velho ditado: nada que é
demais é bom. Se você estiver dando a isso mais importância do que outros
constructos da sua vida, fique alerta. O segredo da felicidade e da saúde
física/mental ainda é o equilíbrio, além do mais, ninguém gosta e nem deve ser
avaliado apenas pela imagem física, então, devemos mostrar algo que possa ser
visto além dela.
Em um quadro pouco otimista vemos
hoje, crianças e adolescentes escravos da própria imagem física, buscando
padrões idealizados e, por consequência disso, se frustrando. Não somos
perfeitos e é importante passar isso para as gerações futuras. Todo e qualquer
fanatismo, seja pelo corpo sarado, ou por qualquer outro assunto, vai levar ao
sofrimento, pois tira a liberdade de pensar e de enxergar as diferenças.
Liberte sua mente e não se
escravize por qualquer padrão de conduta. Questione e questione-se sempre.
Acima de tudo: ACEITE-SE. Aceitar a si mesmo é o ponto de partida para qualquer
mudança e também para que se possa alcançar um objetivo.
Malhe seu corpo, mas não tenha
preguiça de malhar também a sua mente, e a mente a gente malha pensando!

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